O presidente da Nissan para as Américas, Christian Meunier, defendeu a adoção de barreiras tarifárias para veículos importados da China como forma de proteger a cadeia automotiva instalada no Brasil. Em entrevista concedida a um grupo de jornalistas brasileiros, ele afirmou que a medida ajudaria a preservar empregos, fornecedores e investimentos locais.
“Não faz sentido permitir que carros importados sejam despejados”
Segundo Meunier, o avanço de modelos chineses sobre o mercado brasileiro em 2025 aumentou a pressão sobre montadoras que já produzem no país. Para o executivo, a resposta deve vir por meio de tributação. Ele lembrou que, recentemente, o México passou a aplicar taxas que variam de 5% a 50% sobre 1.463 produtos – incluindo automóveis – oriundos de nações com as quais não possui acordos comerciais.
“Se você produzir um certo volume de carros no México, fica isento para parte das importações vindas da China; se não produzir, paga 50%”, exemplificou. Para Meunier, o Brasil poderia adotar estratégia semelhante.
Fábrica de Resende como pilar regional
A Nissan opera desde 2014 um complexo industrial em Resende (RJ), onde monta os SUVs Kicks e Kait. Os sedãs Versa e Sentra e a picape Frontier continuam vindo do México, mas a planta fluminense é vista pela companhia como base de exportação para mais de 20 países da América Latina. Um investimento de R$ 2,8 bilhões foi direcionado à unidade para desenvolver e produzir o Kait.
Plano global corta custos e encurta prazos
A montadora atravessa um amplo processo de reestruturação. Meunier informou que, entre os anos fiscais de 2024 e 2025, foram eliminados US$ 1 bilhão em despesas fixas e outro US$ 1 bilhão em custos variáveis na região das Américas. A empresa reduziu o volume anual de produção global de 5,5 milhões para 3,2 milhões de veículos em seis anos e encurtou o ciclo de desenvolvimento de novos modelos de seis anos para 38 meses.
Outra prioridade é produzir “onde se vende”. Nos Estados Unidos, a participação de componentes locais saltou de 44% para 65% em um ano, diminuindo exposição a tarifas e oscilações cambiais.
Participação de mercado sob pressão
No Brasil, a Nissan encerrou 2025 com 3,05% dos emplacamentos de veículos zero quilômetro, patamar próximo ao de 2020 (3,13%), mas atrás de Honda e BYD. Em janeiro deste ano, a participação foi de 2,81%, contra 6,03% da BYD e 4,14% da Honda.
O Kicks, que chegou a figurar na quarta posição entre os SUVs mais vendidos em 2024, terminou 2025 em sétimo lugar, com 58.388 unidades. À frente ficaram Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Jeep Compass, Honda HR-V, Chevrolet Tracker e Toyota Corolla Cross.
Fonte: g1
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