Produtores rurais de Piacatu, no interior de São Paulo, estão em plena safra de quiabo e intensificam o trabalho para atender ao mercado da capital. Para impedir que o fruto ultrapasse o ponto ideal de venda, a colheita ocorre até três vezes por semana, em ritmo que mobiliza cerca de 200 agricultores da região.
Seleção começa na lavoura
O produtor Luca Vendrame, que se dedica ao cultivo há cerca de três décadas, coordena um sistema de parceria com agricultores familiares. Ele arrenda as áreas, faz o plantio e divide os lucros com quem realiza a colheita. Todo o quiabo é separado ainda na roça: apenas frutos com nove a 12 centímetros, cor verde-escura, superfície lisa e sem manchas entram nas caixas destinadas à venda. Exemplares maiores, retorcidos ou manchados perdem valor comercial.
Segundo Vendrame, não é a quantidade que define o preço, mas a qualidade. “O comprador quer abrir a embalagem e encontrar padrão. Se notar manchas ou tamanho desigual, ele paga menos”, explica. A produção semanal conjunta de Piacatu varia entre 3 mil e 4 mil caixas, que seguem diretamente para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).
Logística contra o relógio
Por ser altamente perecível, o quiabo não pode esperar. Logo após a seleção, as cargas são embarcadas e percorrem mais de 500 quilômetros de rodovias até chegarem à capital em condições adequadas de frescor. Essa agilidade evita perda de umidade e mantém a aparência que o consumidor busca nas feiras e supermercados.
Novo plantio em solo argiloso
Outro agricultor experiente, Francisco Aparecido Siqueira, também cultiva quiabo há mais de 30 anos. Ele acaba de implantar uma lavoura de oito hectares em solo argiloso, opção escolhida pela firmeza que oferece às raízes e pela resistência a fungos. Com menos de 90 dias de desenvolvimento, os pés ainda estão em fase inicial. A primeira colheita, realizada como teste, foi afetada por excesso de chuva seguido de períodos de sol intenso, o que provocou prejuízos. Mesmo assim, a plantação já exibe flores e frutos, indicando boa perspectiva para as próximas semanas.
Dicas para o consumidor
Na hora de escolher, a recomendação é simples: opte por quiabos firmes, macios ao toque, sem manchas e sem coloração amarelada. Esses sinais revelam frescor e garantem preparo de melhor qualidade, seja frito, em saladas ou conservas.
A reportagem original foi exibida em 8 de fevereiro de 2026 no programa “Nosso Campo”.
Com informações de G1




