São Paulo – Um analista de tecnologia identificado como Marcos (nome fictício) afirmou ter sido demitido do Itaú Unibanco após quase dez anos de trabalho sob a justificativa de “baixa produtividade no home office”, apesar de, segundo ele, cumprir jornadas que chegaram a sete dias consecutivos e avançaram pela madrugada.
O desligamento ocorreu no início desta semana, quando ele foi convocado a comparecer ao escritório. No local, foi conduzido a uma sala diferente da habitual e informado da dispensa. “Já trabalhei em fim de semana, mais de sete dias seguidos”, declarou. “Mesmo assim, alegaram que eu tinha baixa produtividade.”
Como o banco mede a atividade
O Itaú informou que utiliza indicadores digitais, como cliques de mouse, uso de teclado, participação em chamadas de vídeo, envio de mensagens e acesso a softwares corporativos para avaliar o desempenho de quem atua em regime remoto. A instituição diz que não captura telas, áudios ou vídeos, mas defende que o monitoramento está previsto em políticas internas assinadas pelos colaboradores e em acordos com sindicatos.
Em nota, o banco declarou que identificou “padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança” e que as decisões fazem parte de uma “gestão responsável”, destinada a preservar a cultura organizacional.
Sindicato questiona transparência
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região estima que ao menos 1 000 empregados tenham sido desligados na mesma ação. A entidade considera o número excessivo e alega falta de transparência sobre os critérios utilizados. Para o sindicato, o uso de ferramentas de vigilância pode gerar pressão excessiva e afetar a saúde mental dos trabalhadores.
Marcos relata que não teve acesso aos números que embasaram a demissão. “Não posso nem provar que trabalhei o tempo integral. Dizem que passei 80% do tempo fora da máquina, mas nunca fiquei apenas duas horas on-line”, afirmou.
Aspectos legais
De acordo com o professor da FGV Direito Rio, Paulo Renato Fernandes da Silva, o empregador tem o direito de fiscalizar a jornada, inclusive no home office, desde que haja clareza contratual sobre a forma de controle. Ele ressalta, contudo, que práticas como feedback prévio e oferta de capacitação são consideradas boas conduções antes de um desligamento.
Marcos, que recebeu prêmios de desempenho durante a carreira, disse não cogitar processo judicial e já busca recolocação. “Sou jovem e acho que não vale a pena”, concluiu.
Com informações de g1
Em 2020 o Ministério do Trabalho e Emprego publicou orientações sobre teletrabalho, disponíveis para consulta em seu site oficial: gov.br/trabalho-e-previdencia.
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