Diesel em alta – O governo federal corre para conter o avanço do preço do combustível, que aumentou mais de 11% em uma semana nos postos, saltando de R$ 6,08 para R$ 6,80, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A estratégia inclui cortes de impostos, negociação com estados e a possibilidade de buscar indenização contra distribuidoras e revendedores.
Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo
Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã espalharam o conflito pela região e levaram Teerã a declarar o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Com o fluxo reduzido a menos da metade do normal, o barril disparou de aproximadamente US$ 60 no início do ano para US$ 110.
A valorização da matéria-prima atinge diretamente a Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil. A companhia precisa decidir entre repassar integralmente o custo ou reduzir margens para segurar o preço nas bombas.
Pacote fiscal tenta frear repasse
Para limitar o impacto, o governo zerou PIS/Cofins e criou uma subvenção a produtores e importadores de diesel. O plano prevê R$ 30 bilhões para baratear em R$ 0,64 cada litro vendido aos consumidores. Em contrapartida, será cobrado imposto sobre a exportação de petróleo.
Mesmo assim, a isenção de PIS/Cofins representa apenas 5% do valor final do diesel, e o efeito das medidas ainda não apareceu nas bombas. O subsídio foi incluído para dobrar o desconto inicialmente estimado.
Negociação com estados e ICMS
O governo pediu aos governadores que reduzissem o ICMS, responsável por quase 20% do preço do diesel — o que significaria corte adicional de cerca de R$ 1,20 por litro. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) rejeitou a proposta, alegando risco ao financiamento de políticas públicas e baixa chance de repasse integral ao consumidor.
Em nova alternativa, os estados poderiam zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, recebendo do governo federal metade da arrecadação perdida. A estimativa do Ministério da Fazenda é de gasto de R$ 3 bilhões por mês, com reembolso de R$ 1,5 bilhão. A decisão deve sair até 28 de março.
Fiscalização e possível ação judicial
Além das negociações tributárias, o Executivo reforçou a fiscalização da tabela do frete para evitar prejuízos aos caminhoneiros e prevenir nova paralisação da categoria. Também avalia acionar distribuidoras e postos na Justiça para recompor eventuais sobrepreços.
Risco de inflação
O economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, calcula que os aumentos indiretos vinculados ao diesel podem adicionar 0,11 ponto percentual à inflação em 2026.
“O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel, já neste mês. Entre os efeitos indiretos, o aumento será espraiado ao longo dos próximos seis meses”,
afirmou Romão.
Fonte: g1
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