São José dos Campos (SP) – A Embraer enviou nesta segunda-feira (18) uma carta ao governo dos Estados Unidos contestando a investigação aberta contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. No documento, a fabricante de aeronaves afirma que qualquer aumento tarifário sobre seus produtos contraria os interesses econômicos norte-americanos.
A apuração foi iniciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301, a pedido do então presidente Donald Trump. Embora não seja alvo direto do inquérito, a Embraer já paga tarifa de 10% e busca a eliminação do imposto.
Presença robusta nos EUA
Assinada pelo presidente Francisco Gomes Neto, a carta destaca que a companhia mantém operações significativas em território americano. A subsidiária Embraer Aircraft Holding (EAH), criada em 1979 na Flórida, lidera a produção de jatos executivos em Melbourne, gerando exportações superiores a US$ 600 milhões por ano.
Segundo a empresa, 17 instalações espalhadas por Flórida, Arizona, Geórgia, Tennessee e Texas respondem por 2,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. A projeção é criar mais 5 mil postos até 2030, caso não haja barreiras adicionais.
Impacto na balança comercial
A Embraer calcula que, sem novas tarifas, comprará bens e serviços de fornecedores dos EUA no valor de vários bilhões de dólares entre 2025 e 2030, gerando um superávit de aproximadamente US$ 8 bilhões para a economia americana. A companhia frisa que o Brasil adota tarifa zero para produtos aeronáuticos civis, negando benefício aduaneiro exclusivo.
Rede de aeronaves no mercado interno americano
Mais de 2 mil aviões da fabricante operam hoje em companhias como American Airlines, Delta, United e Alaska Airlines, transportando cerca de 100 milhões de passageiros por ano — o equivalente a 10% do tráfego doméstico dos EUA.
Estrutura societária e defesa
No mercado financeiro, 88% dos acionistas da Embraer estão nos Estados Unidos e 44% das ações são negociadas na Bolsa de Nova York. A empresa também ressalta a possibilidade de ampliar investimentos caso o cargueiro KC-390 seja selecionado pela Força Aérea norte-americana.
“Impor restrições de importação à Embraer ou às nossas cadeias de suprimentos minaria esses benefícios”, afirma a carta, que encerra pedindo ao governo dos EUA que evite qualquer tarifa adicional.

Imagem: g1.globo.com
Até a publicação desta reportagem, Washington não havia se pronunciado sobre o documento.
Para compreender como funciona a Seção 301, o USTR detalha o procedimento em seu site oficial.
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Com informações de g1.globo.com
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