BRASÍLIA (DF) – Em meio à maior dança de cadeiras do governo desde o início do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Tadeu Barbosa de Alencar para comandar o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. O detalhe que chama atenção: em 2016, o agora ministro votou a favor da abertura do impeachment de Dilma Rousseff na Comissão Especial da Câmara.
- Em resumo: Alencar assume após Márcio França sair para disputar 2026, mesmo tendo apoiado o afastamento de uma ex-presidente petista.
Voto de 2016 volta ao centro do debate
O posicionamento de Alencar foi registrado no plenário da Câmara dos Deputados, quando o relatório de Jovair Arantes recebeu 367 votos favoráveis, 137 contrários e 7 abstenções, superando com folga os 342 necessários para levar Dilma a julgamento no Senado. O episódio, documentado pela Câmara Federal, consumiu quase 53 horas de sessão e ficou marcado por clima de tensão e comemoração a cada voto.
À época filiado ao PSB, Alencar justificou o posicionamento como “ato de responsabilidade”. Agora, indicado pelo PT, ele evita polemizar e sustenta que o foco será facilitar crédito e reduzir burocracia para pequenos negócios.
“Precisamos criar ambiente em que micro e pequenas empresas possam sobreviver; elas geram mais da metade dos empregos formais do país”, reiterou o novo ministro.
Como a troca afeta o núcleo político de Lula
A escolha ocorre no pacote que exonerou 16 ministros interessados na eleição de 2026. Além de Alencar, o Diário Oficial trouxe Márcio Fernando Elias Rosa no lugar de Geraldo Alckmin no MDIC, já que o vice-presidente volta a priorizar a chapa com Lula.
Para analistas, a nomeação de um antigo defensor do impeachment de Dilma é sinal de que o Planalto privilegia composição partidária e experiência administrativa, mesmo sob risco de críticas internas. A pasta tem orçamento enxuto, mas influência sobre programas de microcrédito e desoneração fiscal, estratégicos para a retomada do crescimento.
Crédito da imagem: Divulgação
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