O período entre dezembro e fevereiro costuma pressionar o bolso do brasileiro. Depois das festas, chegam contas como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), matrícula escolar, seguros e a fatura do cartão de crédito. Para evitar o descontrole financeiro e começar 2026 sem dívidas, economistas e planejadores financeiros apresentam estratégias de organização do orçamento.
Divisão inteligente do 13º e rendas extras
Quem ainda dispõe de parte do 13º salário ou espera receber Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ou abono salarial nos primeiros meses do ano deve separar o montante em três partes, recomenda o economista e doutor em direito Caio Bartine: metade para quitar dívidas ou reservar para impostos, e o restante dividido entre consumo corrente e lazer ou poupança.
O planejador financeiro Carlos Castro, certificado pela Planejar (CFP), reforça que a principal etapa é conhecer o próprio custo de vida. Segundo ele, o uso de cartão, Pix e carteiras digitais torna o dinheiro “invisível” e dificulta a percepção dos gastos reais.
IPTU e IPVA: pagar à vista ou parcelar?
Quem possui reserva financeira pode aproveitar descontos de 3% a 10% oferecidos para pagamento à vista de tributos municipais e estaduais. Caso o orçamento esteja apertado, a alternativa é parcelar, mas sem atrasos. Juros, multas e até bloqueio do veículo são riscos para quem deixa de cumprir o calendário.
Bartine destaca que programar esses pagamentos reduz estresse e evita encargos extras. Ele ainda lembra que a quitação em dia permite destinar parte do imposto a projetos sociais, transformando obrigação em impacto positivo.
Ordem de prioridade para quitar dívidas
Para endividados, o especialista divide as pendências em três grupos:
- Essenciais: aluguel, condomínio, financiamento imobiliário, contas de água, luz, gás, internet e impostos sobre propriedade;
- Com garantia real: financiamento de veículos, empréstimos com garantia e dívidas tributárias;
- Sem garantia: cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
Nas dívidas sem garantia, a orientação é negociar antes de pagar. Feirões de renegociação podem reduzir juros em até 90%, segundo Castro. A Lei do Superendividamento, em vigor desde 2021, também garante que despesas básicas sejam preservadas enquanto o restante da renda é destinado ao acerto das dívidas.
Evitar novos débitos
Castro sugere dividir o orçamento em três blocos, inspirados em dados do IBGE: 50% para despesas essenciais, 30% para gastos sociais (lazer e presentes) e 20% para projetos de vida, como reserva e investimentos. Essa proporção ajuda a visualizar se o consumidor apenas cumpre obrigações ou também constrói patrimônio.
Controle emocional e metas quantificadas
Para os especialistas, 90% das decisões financeiras têm origem emocional. Anotar compras e seus motivos ajuda a identificar gatilhos e evitar impulsos. Metas precisam de valor e prazo: uma viagem, por exemplo, exige definir custo total e data pretendida.
Bartine ressalta que parcelamento deve ser passageiro e que a reserva de emergência, idealmente de três a seis meses do custo de vida, reduz a dependência de crédito. Ele recomenda cursos gratuitos de educação financeira oferecidos pelo Banco Central como ponto de partida.
Com planejamento, negociação de dívidas e uso consciente das rendas extras, o consumidor aumenta as chances de atravessar o trimestre crítico e iniciar 2026 com as contas equilibradas.
Para quem busca aprofundar o tema, o Banco Central do Brasil disponibiliza cursos gratuitos de educação financeira que detalham conceitos de orçamento, crédito e investimentos.
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Com informações de G1
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