Washington, 21 de novembro de 2025 – Os Estados Unidos retiraram a tarifa adicional de 40% que incidia sobre 238 itens de origem brasileira, medida que vinha sendo aplicada desde julho. A suspensão, oficializada por ordem executiva e com efeito retroativo a 13 de novembro, beneficia produtos fortemente ligados à cadeia agroindustrial norte-americana, como carnes bovinas e suínas, café, cacau, frutas tropicais, castanhas, sucos, alguns fertilizantes e insumos nos quais o Brasil é considerado fornecedor difícil de substituir.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), a decisão foi motivada principalmente pela pressão inflacionária sobre os alimentos nos EUA. Pesquisa do instituto Ipsos aponta que 59% dos consumidores norte-americanos atribuem ao presidente Donald Trump a alta dos preços no ano, o que teria acelerado a busca por alternativas capazes de conter custos internos.
Impacto nas exportações
Cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que os itens contemplados representam cerca de 37% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Assim, a maior parcela dos embarques — especialmente manufaturados — continua sujeita ao adicional de 40% anunciado em julho.
“Máquinas e equipamentos, móveis, couro, calçados, aviação, óleos e minerais seguem pagando a sobretaxa. Precisamos avançar nas negociações para solucionar o problema o quanto antes”, afirmou Frederico Lamego, diretor de Relações Internacionais da CNI.
Gestos diplomáticos
Além do fator econômico, a ordem executiva cita pela primeira vez desde julho o “processo de negociação” com o Brasil, o que, segundo Lamego, sinaliza mudança no clima político entre os dois países. Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a medida atendeu a proposta encaminhada por Brasília e reflete o “distensionamento” recente na relação bilateral.
Limites da isenção
Mesmo entre os produtos beneficiados, o alívio tarifário abrange apenas a sobretaxa de 40%. Permanecem inalteradas as tarifas de base, eventuais medidas antidumping e barreiras sanitárias, lembra João Henrique Gasparino, diretor-executivo da consultoria NimbusTax. Com efeito retroativo, as empresas poderão solicitar reembolso do valor pago desde 13 de novembro.
Setores ainda afetados
Indústrias de calçados e móveis, que ficaram fora da lista de isenção, seguem amargando custos adicionais. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) vê na decisão “uma porta para negociações mais amplas”, mas relata prejuízos significativos, sobretudo no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) considera que a mudança “praticamente não altera o quadro”. O setor revisa pedidos, renegocia contratos e tenta redirecionar exportações enquanto defende, em reuniões com autoridades de ambos os países, que a manutenção das tarifas encarece produtos para o consumidor norte-americano.
Com informações de G1
De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil permanece entre os principais fornecedores de insumos agroindustriais ao mercado norte-americano, reforçando a relevância da flexibilização tarifária.
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Em resumo, a retirada parcial da sobretaxa representa avanço nas negociações, mas a maior parte das exportações brasileiras continua sujeita a tarifas. Fique por dentro das próximas etapas e compartilhe esta notícia com quem também acompanha o comércio exterior!
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