Bogotá – A Colômbia encerrou o terceiro trimestre de 2025 com alta de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) em relação ao mesmo período de 2024, resultado que superou a expectativa máxima de 3,2% projetada por analistas consultados pela agência Bloomberg.
Segundo levantamento da revista britânica The Economist, o desempenho colocou o país como a economia de melhor resultado na América Latina e a quarta no ranking global entre os 36 integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para efeito de comparação, o PIB brasileiro avançou 1,8% no mesmo intervalo.
Fatores que impulsionaram o crescimento
Especialistas apontam a combinação de aumento do consumo público e retomada do consumo privado como principal motor da expansão. “A economia vai crescer mais do que o esperado, mesmo pelos mais otimistas”, avaliou o ex-ministro José Antonio Ocampo, hoje professor da Universidade Columbia.
O presidente do Bancolombia, Juan Carlos Mora, destacou a melhora na taxa de inadimplência. “As pessoas estão pagando mais, tanto empresas quanto consumidores, e o consumo está crescendo”, afirmou.
O mercado de trabalho também mostra sinais positivos: a taxa de desemprego recuou para 8,2%, a menor já registrada no país. Apesar da informalidade ainda alta, três quartos dos novos postos criados em 2025 são formais, segundo Ocampo.
Influência externa e câmbio
Mesmo com o retorno de Donald Trump à Casa Branca e a imposição de tarifa geral de 10% às exportações latino-americanas, a Colômbia não foi um dos países mais impactados. O setor agropecuário, beneficiado pela alta internacional do café, seguiu contratando.
Ao longo do ano, o peso colombiano se valorizou diante do dólar, movimento impulsionado pelas dúvidas em torno da dívida norte-americana e pela redução dos juros do Federal Reserve. A apreciação favoreceu importadores, mas reduziu receita dos exportadores agrícolas.
Sinais de alerta
Embora o cenário atual seja positivo, analistas observam riscos. Para Marc Hoffstetter, da Universidade dos Andes, parte do avanço está ligada a um “gasto público insustentável”. O déficit fiscal deve encerrar 2025 em 6,2% do PIB, nível considerado elevado pelo Banco da República, o banco central colombiano.
A queda no investimento estrangeiro, o recuo nos setores de mineração e petróleo — afetados por preços internacionais menores e pela alta de impostos sobre hidrocarbonetos — e a inflação ainda resistente completam a lista de desafios.
Papel do governo Petro
As previsões de colapso econômico após a posse de Gustavo Petro, em 2022, não se concretizaram. Entretanto, economistas ouvidos pela Deloitte atribuem o bom momento a fundamentos estabelecidos antes de seu mandato. Petro aprovou em junho de 2025 uma reforma trabalhista que aumenta os custos para empregadores e ainda não teve impacto mensurado sobre a geração de empregos formais.
Tentativas do governo de elevar a carga tributária foram barradas no Congresso, levando o Executivo a suspender temporariamente a regra de controle de gastos.
Próximos passos
O futuro da política fiscal será um dos temas centrais da eleição presidencial marcada para maio de 2026. O próximo governo terá de adotar medidas para reduzir o déficit e preservar a confiança dos mercados, avalia Ocampo. “Estamos em um momento de alerta inicial”, resume Nicolás Barone, analista da Deloitte para a Região Andina.
Se conseguir equilibrar as contas, a Colômbia pode manter a trajetória de crescimento que vem reduzindo informalidade e desigualdade nos últimos anos.
Dados completos sobre desempenho econômico e comparativos internacionais estão disponíveis no site da OCDE, entidade que monitora indicadores de 36 países.
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Resumo: A Colômbia surpreendeu o mercado ao crescer 3,6% no terceiro trimestre de 2025, mas terá de enfrentar déficit fiscal elevado e queda nos investimentos para sustentar o ritmo no próximo governo. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta reportagem.
Com informações de G1
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