Mesmo após a ofensiva ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela e as seguidas ameaças ao Irã, o mercado internacional de petróleo mantém projeções de preços moderados para 2026. Analistas consultados por instituições financeiras apontam para cotações entre US$ 60 e US$ 65 por barril, faixa considerada próxima do mínimo necessário para viabilizar projetos de exploração mais caros.
Geopolítica agitada não altera quadro de oferta
No início de 2026, tropas norte-americanas prenderam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, abrindo espaço para que Washington passasse a administrar temporariamente as exportações do país sul-americano. A ação provocou, de imediato, alta de 1,6 % no Brent, que fechou a sessão a US$ 61,76. No dia seguinte, porém, o movimento se inverteu e a cotação recuou 7 %, de acordo com a consultoria Elos Ayta.
O vaivém se repetiu com o Irã. Após sugerir um possível ataque ao país persa, Trump elevou os temores de interrupções de embarques pelo Estreito de Ormuz, rota marítima por onde trafega cerca de 20 % do petróleo transportado em navios. O Brent saltou mais de 4 %, alcançando US$ 66,52, mas perdeu força quando a Casa Branca anunciou disposição para negociar o programa nuclear iraniano.
Para Artur Watt, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as oscilações refletem incertezas momentâneas: “O preço já vinha em queda; notícias geopolíticas geram ruído, mas ainda não mudaram o balanço de oferta e demanda”.
Sobra de barris dita tendência
A principal razão para a resistência das cotações em subir é o excesso de produção global. «O consenso do mercado indica superávit para 2026», afirma Régis Cardoso, responsável pela cobertura de óleo e gás da XP. Segundo ele, mesmo que o Estreito de Ormuz seja ameaçado, parte desse risco já está precificada.
No caso venezuelano, o petróleo mais pesado exige refinarias com tecnologia avançada. Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), calcula que seriam necessários dois anos para retomar projetos e até oito anos para recuperar o patamar de mais de 3 milhões de barris por dia registrado nos anos 1970.

Impactos para o Brasil
Para o governo brasileiro, barril na faixa de US$ 60 a US$ 65 traz efeitos mistos. De um lado, royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras caem, pressionando as contas públicas. De outro, combustíveis mais baratos contribuem para conter a inflação.
Ainda assim, o consumidor nem sempre percebe alívio imediato na bomba. Cardoso explica que a Petrobras busca reduzir a volatilidade dos preços no mercado interno: “O valor final envolve impostos, mistura de etanol ou biodiesel e margens de distribuição”. Em janeiro, a estatal anunciou redução de R$ 0,14 por litro na gasolina A após três meses de estabilidade; mesmo assim, o repasse não aconteceu de forma linear nos postos.
No cenário externo, especialistas avaliam que o controle norte-americano das vendas venezuelanas e uma eventual negociação com Teerã tendem a produzir somente movimentos de curto prazo. A oferta abundante e a perspectiva de demanda global moderada continuam a limitar a escalada do petróleo, assegurando previsões de preços mais comportados para os próximos meses.
Com informações de G1
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