Sergipe, 28 de setembro de 2025 – A popularização dos pagamentos digitais transformou a forma como clientes são convidados a deixar gorjeta. Sistemas de tela sensível ao toque, aplicativos e maquininhas de cartão passaram a exibir opções pré-definidas que variam de 15% a 25%, tornando a recusa mais difícil e gerando dúvidas sobre quando, quanto e a quem gratificar.
Origem e evolução da prática
A gorjeta surgiu na Europa medieval, quando aristocratas recompensavam servos. No século XIX, a prática perdeu força no continente, mas ganhou força nos Estados Unidos, de onde voltou a se espalhar globalmente.
Novas tecnologias, velhas pressões
Com o avanço dos pagamentos sem contato, empresas de tecnologia incluíram a solicitação de gorjeta nos terminais. Segundo o professor Ismail Karabas, da Universidade Murray (EUA), o recurso vem habilitado de fábrica e poucas empresas optam por removê-lo. “Mais gorjetas significam mais receita também para quem desenvolve os sistemas, que cobra uma taxa por transação”, afirma.
Para o pesquisador Michael Lynn, da Universidade Cornell, o layout das telas influencia diretamente o valor deixado. Ele destaca que aumentar o percentual sugerido eleva a média arrecadada, embora possa reduzir o número de pessoas que contribuem.
O que dizem as pesquisas
- Levantamento do instituto YouGov (maio/2023) apontou que a maioria dos consumidores em oito países deixa entre 5% e 10% em restaurantes. Nos EUA, dois terços oferecem 15% ou mais.
- Pesquisa do Pew Research Center (novembro/2023) revelou que 72% dos adultos americanos sentem que hoje se espera mais gorjeta do que há cinco anos, e apenas 34% sabem quando o gesto é realmente apropriado.
- A mesma sondagem mostrou que só 25% dos norte-americanos deixam gorjeta ao comprar café e 12% em redes de fast-food.
Impacto nos trabalhadores
Em parte dos EUA, empregados que recebem gorjeta podem ganhar apenas US$ 2,13 por hora, valor abaixo do salário mínimo federal. A diferença deve ser compensada pelas gratificações — o que explica a insistência em pedir ao cliente.
Como lidar com a “tipflation”
Especialistas sugerem conhecer a legislação local de remuneração, analisar o cenário salarial do estabelecimento e, se necessário, pagar em dinheiro para definir o valor de forma independente. Outra dica é não ceder à sensação de culpa provocada pela fila ou pelo atendente.
Mesmo diante de telas cada vez mais persuasivas, entender o contexto econômico de quem presta o serviço continua sendo o caminho mais seguro para decidir quando e quanto gratificar.
Para mais detalhes sobre o salário mínimo de trabalhadores que recebem gorjeta nos Estados Unidos, o Departamento de Trabalho dos EUA disponibiliza informações atualizadas.
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Entender a evolução das gorjetas digitais ajuda a evitar surpresas nas contas e garante que a gratificação seja justa tanto para clientes quanto para trabalhadores.
Com informações de g1.globo.com
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