Em pronunciamento na Câmara Municipal de Aracaju, o vereador Fábio Meireles (PDT) voltou a direcionar críticas contundentes à administração da prefeita Emília Corrêa. O parlamentar listou, um a um, episódios que – na avaliação dele – precisam de respostas mais claras por parte do Executivo, alegando que os fatos se sobrepõem e dificultam o acompanhamento dos vereadores e da própria população.
“Nós não sabemos nem do que falar precisamente, porque é um problema encobrindo outro problema”,
disparou Meireles logo na abertura do discurso.
O primeiro ponto lembrado pelo pedetista foi o uso de cartão corporativo por um servidor que, segundo ele, já havia sido exonerado. Para o vereador, a continuidade de despesas nessa situação demonstra falha de controle interno.
Em seguida, Meireles direcionou a atenção para a presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (JUPREV), Joana D’Arc. De acordo com informações apresentadas pelo parlamentar, a gestora teria permanecido como sócia-administradora de uma empresa privada enquanto ocupava o cargo público, o que, segundo o estatuto do órgão, configuraria incompatibilidade.
Outro episódio citado foi a apreensão de R$ 240 mil em espécie com o diretor do Departamento de Administração Financeira (DAF). O valor, relatou Meireles, estava distribuído em três sacolas.
“Eu sei que esse dinheiro iria para algum lugar, mas nunca tinha visto algo parecido em gestões municipais”,
afirmou, destacando que o caso é inédito em sua trajetória como parlamentar.
O vereador também condenou a atuação da Guarda Municipal durante abordagem envolvendo a cidadã Viviane. Ele classificou a condução como desproporcional e cobrou explicações sobre quem teria determinado a ação.
“A ordem partiu da prefeita Emília Corrêa?”
questionou, sugerindo que uma negociação anterior poderia ter evitado o conflito.
Na fase final do pronunciamento, Meireles criticou o decreto de contingenciamento publicado recentemente pela Prefeitura. O vereador comparou a medida ao ajuste fiscal adotado em 2017, mas frisou que, à época, o Executivo alegava ter herdado dificuldades da gestão anterior. Agora, diz ele, o próprio governo atual estaria cortando recursos de sua própria contabilidade.
“O contingenciamento que a gestão da prefeita Emília faz aponta para 2025, ano em que ela mesma continuará prefeita”,
ressaltou, associando a decisão ao momento em que o dinheiro vivo foi apreendido.
Fábio Meireles encerrou o discurso defendendo transparência total nos processos investigativos e afirmando que continuará acompanhando os desdobramentos das denúncias. Até o momento, a Prefeitura não havia se pronunciado oficialmente sobre os questionamentos levantados no plenário.
O clima na Câmara ficou marcado por expectativa de novos debates, já que outros vereadores sinalizaram que pretendem requerer documentos e possíveis convocações de gestores para prestar esclarecimentos.
Já entre servidores e frequentadores da Casa, o relato de Meireles repercutiu durante toda a sessão, reforçando a percepção de que a sucessão de fatos – do cartão corporativo ao dinheiro em espécie – poderá dominar a pauta política da capital nos próximos dias.
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