SÃO PAULO (SP) – A entrada do vice-governador Felício Ramuth no MDB, articulada diretamente por Tarcísio de Freitas, redesenha o tabuleiro eleitoral paulista e praticamente extingue as chances de o partido apoiar Luiz Inácio Lula da Silva na disputa nacional deste ano.
- Em resumo: ao assumir a vice no principal colégio eleitoral do País, o MDB sinaliza neutralidade em Brasília e fortalece o plano de Tarcísio para controlar sua própria sucessão.
Bastidores: como o acordo foi costurado
A migração de Ramuth encerra uma novela interna iniciada em 2022, quando ele trocou o PSDB pelo PSD com a meta de disputar o governo, mas aceitou ser vice de Tarcísio para derrubar a hegemonia tucana. Desde então, ganhou prestígio no Palácio dos Bandeirantes e virou peça-chave para 2026.
A movimentação colide com o projeto de Gilberto Kassab, que sonha em ocupar a vice para pavimentar seu caminho ao governo paulista. Para evitar esse avanço, Tarcísio bancou a filiação de Ramuth ao MDB e aproximou a sigla de sua gestão, que até então não contava com emedebistas no primeiro escalão.
Para analistas ouvidos nos bastidores da Câmara dos Deputados, o gesto praticamente “enterra” qualquer composição nacional entre MDB e PT em 2024, abrindo espaço para que a sigla adote posição de neutralidade ou apoie um terceiro nome.
“Política é dinâmica e exige clareza de rumo”, declarou Ramuth ao oficializar a troca partidária.
Impacto imediato: sucessão, Congresso e Lula
Ao atrair o MDB, Tarcísio envia dois recados: quer manter Ramuth como vice na tentativa de reeleição e, acima de tudo, controlar quem terá a chave do Palácio em 2027. Repetir o modelo Alckmin–Covas, em que o vice assume o comando, faz parte do cálculo.
Na arena federal, a mudança isola Lula em uma fase na qual o Planalto ainda busca alianças para sustentar pautas no Congresso. Sem o MDB paulista — capitaneado por Baleia Rossi e pelo prefeito Ricardo Nunes — a negociação fica mais árida e reforça a tese de neutralidade emedebista.
Do lado opositor, PL e PSD continuam brigando pela mesma cadeira; o presidente da Alesp, André do Prado (PL), tenta ser alçado a vice, mas agora enfrenta um adversário com a máquina partidária do MDB e o carimbo de “escolhido” de Tarcísio.
Embora aliados assegurem que a permanência de Ramuth na chapa seja “tendência”, o governador mantém o suspense e promete bater o martelo apenas na janela fixada pela legislação eleitoral.
Crédito da imagem: Divulgação
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