Brasília-DF / Polícia Federal – Uma operação recente da PF escancarou como uma quadrilha altamente estruturada driblava protocolos de segurança e faturava milhões ao vender aprovações em concursos nacionais – inclusive no Concurso Nacional Unificado (CNU).
- Em resumo: Dispositivos eletrônicos implantados no corpo e “bonecos” pagos chegavam a custar R$ 500 mil por vaga.
Implante no ouvido, dublês e vazamento de prova
Segundo os investigadores, membros do esquema inseriam micropontos eletrônicos cirurgicamente nos candidatos. O aparelho recebia respostas em tempo real, exigindo remoção médica após a prova. Para cargos de elite, como auditor fiscal, o “pacote” chegava a meio milhão de reais.
Além do implante, falsificação de documentos permitia que professores e concurseiros veteranos – os chamados “bonecos” – entrassem no lugar dos inscritos. Áudios obtidos pela PF indicam suborno a vigilantes e desligamento de câmeras para garantir a troca de pessoas sem deixar rastros. Esses detalhes reforçam a avaliação de especialistas da Polícia Civil de Sergipe de que as fraudes evoluem na mesma velocidade que os sistemas de segurança.
“O lacre é fácil demais, tanto romper e botar de novo”, admitiu Waldir Luiz de Araújo Gomes, funcionário de banca organizadora, em gravação analisada pela PF.
A engrenagem por trás dos milhões e o risco ao serviço público
Documentos da investigação mostram que o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa – apontado como líder – articulava desde a captação de clientes até o repasse de gabaritos. Pagamentos incluíam carros, viagens e até ouro, demonstrando a capilaridade financeira do grupo.
Especialistas alertam que, mesmo com novas barreiras — códigos de barras individualizados, detectores de metal e atuação conjunta de PF, PRF e Força Nacional —, as organizações se reagrupam rapidamente. Provas discursivas ajudam a reduzir fraudes, mas não anulam a ação de quadrilhas com ramificações em vários estados.
Para candidatos já nomeados ilegalmente, as consequências vão de demissão a processos criminais por falsificação e lavagem de dinheiro. A PF, em parceria com o Ministério da Gestão e Inovação, promete ampliar a fiscalização nos próximos certames.
Crédito da imagem: Divulgação / TV Globo
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