São Paulo — O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que “não é crime pagar acima do CDI” e que a liquidação do Banco Master não se deu pelo fato de a instituição oferecer remuneração maior do que a média de mercado. A fala ocorreu durante palestra no evento Estabilidade Financeira e Perspectivas para 2026 e 2027, realizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
Galípolo lembrou que “tinha gente que cobrava que liquidasse o banco porque existiam CDBs sendo emitidos a uma taxa superior ao CDI”. Segundo ele, não existe regra que impeça uma instituição de captar recursos pagando juros elevados. O ponto central, disse, era a combinação entre dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo carteiras de crédito, fatores que levaram à intensificação da supervisão a partir do fim de 2024.
“Time da terceira divisão” gerou comoção
O presidente do BC ponderou que o episódio não tem a mesma dimensão de crises bancárias anteriores, como Bamerindus, Econômico e Nacional, consideradas sistêmicas. Ao comparar o Master a “um time da terceira divisão”, ele questionou: “Por que um time da terceira divisão está causando esse tipo de comoção?”. A resposta, afirmou, está no fato de o caso ter “transcendido o tema financeiro” e exigido ação conjunta com Polícia Federal e Ministério Público.
“É bastante importante tomar cuidado com as palavras. O Banco Central não faz notícia de crime. O Banco Central noticia fatos”, explicou Galípolo, ao detalhar o envio de informações às autoridades investigativas.
Casamento entre ativo e passivo
Durante a apresentação, o presidente do BC ressaltou que o funcionamento de um banco depende do equilíbrio entre o que paga aos investidores e o que recebe dos tomadores de crédito. “Você precisa receber mais juros do que você paga e receber o dinheiro antes do que você tem que pagar”, disse. Mesmo sem captar novos recursos, completou, a instituição pode permanecer solvente se “o passivo e o ativo estiverem bem casados”. No caso do Master, a discussão, segundo ele, deveria ter se concentrado na qualidade dos ativos, não apenas no custo da captação.
Juros: calibragem e cautela
Galípolo também comentou a política monetária após o Comitê de Política Monetária manter a Selic em 15% ao ano. Para ele, o Banco Central entrou numa fase de “calibragem”, observando dados para ajustar o grau de restrição necessário à convergência da inflação à meta. O dirigente reconheceu melhora no ambiente inflacionário, citando expectativas e números correntes, mas ressaltou que a atividade econômica “se mostrou mais resiliente do que se esperava”.
O presidente do BC voltou a dizer que a autoridade monetária não persegue um nível específico de juro real. “Não fazer um reconhecimento de que a gente está numa situação diferente faria pouco sentido, mas também esta não é uma volta da vitória”, afirmou, defendendo parcimônia e cautela nos próximos passos.
Galípolo destacou ainda que as expectativas de inflação acima da meta em prazos mais longos continuam a incomodar, reforçando a necessidade de ajuste gradual. “Incomoda também bastante a gente ver essa desancoragem nos horizontes mais longos”, concluiu.
Para entender como funciona a regulação de instituições financeiras, o próprio Banco Central do Brasil publica em seu site oficial todas as normas e resoluções vigentes.
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Com informações de g1




