Brasília, 23 de outubro de 2025 – O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira que a autoridade monetária está “bastante incomodada” com a inflação e as expectativas de mercado acima da meta oficial. Segundo ele, o cenário exige a manutenção da política monetária restritiva por um período prolongado.
Inflação ainda distante do centro da meta
A meta de inflação para 2025 é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Entretanto, a pesquisa Focus projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrará o ano em 4,7%. Em setembro, o acumulado em 12 meses ficou em 5,17%.
“A inflação e as expectativas seguem fora do que é a meta; isso nos incomoda bastante”, afirmou Galípolo. Ele ressaltou, porém, que os índices vêm cedendo graças à atuação “diligente e tempestiva” do BC.
Selic permanece em 15% ao ano
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano. Galípolo explicou que os juros elevados são necessários para consolidar a trajetória de queda dos preços. “Precisamos manter um patamar restritivo por mais tempo para garantir a convergência da inflação para a meta”, disse.
Cobrança do Palácio do Planalto
Três dias antes, na segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pedir a redução dos juros, afirmando que a taxa atual dificulta a expansão do crédito e o crescimento econômico. Para Lula, é possível conciliar lucro empresarial com custos financeiros mais baixos para a população.
Autonomia preservada
O Banco Central é formalmente autônomo desde 2021, o que impede o presidente da República de demitir o titular da instituição. Gabriel Galípolo assumiu o comando em janeiro de 2025, sucedendo Roberto Campos Neto.
Galípolo reiterou que o objetivo da política monetária é reconduzir a inflação ao centro da meta “sem prejudicar o desempenho da economia”, combinando crescimento, baixo desemprego e preços estáveis.
Com informações de G1
De acordo com dados do Banco Central do Brasil, a meta de 3% foi definida pelo Conselho Monetário Nacional.
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