A expansão da internet no meio rural brasileiro não tem sido suficiente para garantir sinal de qualidade às propriedades. Levantamento da Associação ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) mostra que, em 2025, 52% dos imóveis rurais seguem fora das redes 4G ou 5G. Quando observada somente a área efetivamente utilizada para produção agropecuária, o acesso é ainda menor: apenas 34% das lavouras têm cobertura.
Apesar do crescimento, a exclusão digital permanece significativa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 1,3 milhão de domicílios rurais não tinham qualquer acesso à internet em 2024, o equivalente a 15% do total.
Diferenças regionais
O Indicador de Conectividade Rural (ICR), também elaborado por ConectarAGRO e UFV, revela disparidades entre os estados. O Amazonas ocupa a pior posição em acesso, enquanto o Distrito Federal lidera o ranking nacional.
Obstáculos à expansão
Especialistas apontam o tamanho do território nacional e a diversidade de relevo como principais barreiras para universalizar o serviço. Áreas montanhosas, florestas densas e longas distâncias exigem múltiplas tecnologias — cabo, rádio ou satélite — e investimentos elevados. Segundo o pesquisador Durval Dourado Neto, da Esalq/USP, a viabilidade econômica é outro entrave: “o custo precisa compensar tanto para o governo quanto para as empresas”.
Impacto na produção
A falta de conectividade limita o uso de ferramentas da chamada agricultura 5.0, que engloba inteligência artificial, drones e tratores autônomos. Pesquisa da Embrapa aponta que 70% dos produtores citam o alto custo de máquinas e softwares como empecilho, enquanto quase metade menciona a baixa qualidade da internet.
Casos do interior paulista
Em Caconde (SP), o cafeicultor Ademar Pereira só conseguiu conexão em 2021, após a chegada do projeto Semear Digital. Na mesma cidade, o piscicultor Tiago Oliveira instalou câmeras de segurança em 2022, depois de obter sinal de internet, e conseguiu reduzir prejuízos causados por furtos de tilápias que chegavam a R$ 20 mil por gaiola.
Efeitos sociais
A ausência de sinal também afeta serviços básicos. Escolas, postos de saúde e comunidades indígenas foram avaliados no ICR justamente para subsidiar políticas públicas que ampliem o alcance da rede. Para a coordenadora de parcerias do Semear Digital, Luciana Romani, “a conectividade só faz sentido quando vem acompanhada de tecnologia que melhore a vida no campo”.
Embora a inclusão digital avance, a pesquisa da Embrapa classifica as propriedades em três estágios de adoção tecnológica — iniciantes, intermediárias e avançadas — e indica que a maioria ainda não integra sistemas de inteligência artificial ou automação total.

Imagem: g1.globo.com
Sem conexão estável, produtores relatam dificuldades até para verificar a previsão do tempo, crucial na definição de plantio e colheita. A cobertura limitada também interfere na decisão de trabalhadores rurais, que preferem fazendas com internet para manter contato com a família e realizar cursos de capacitação, observa a presidente da ConectarAGRO, Paola Campiello.
O retrato atual confirma que levar sinal de qualidade ao campo continua sendo condição necessária para elevar a produtividade, reduzir custos e garantir serviços essenciais às comunidades rurais.
Com informações de g1
Dados do IBGE demonstram o desafio de integrar regiões remotas à economia digital.
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