Caconde (SP) — Quatro anos depois de receber sinal de internet pelo projeto Semear Digital, a zona rural de Caconde, a 290 km da capital paulista, colhe resultados que vão do aumento da produção agrícola ao reforço na segurança das propriedades.
Conectividade chega por rádio
Cercada por montanhas de até 1.300 metros, Caconde virou cidade-piloto do Semear Digital em 2021. Antenas repetidoras de rádio levaram conexão a mais da metade das cerca de 2.500 pequenas fazendas locais, permitindo acesso a serviços bancários, previsão do tempo e venda on-line de produtos.
Em regiões onde o relevo impede essa solução, o programa recorre a outras tecnologias. Na ilha do Marajó (PA), por exemplo, o acesso foi viabilizado via satélite.
Drones vencem o relevo e reduzem insumos
O terreno íngreme dos cafezais de Caconde — com inclinação de até 45 graus — dificultava a pulverização manual. Hoje, drones de aplicação distribuem defensivos e fertilizantes em áreas onde máquinas não entram. O Sindicato Rural investiu R$ 135 mil em um kit com aeronave, três baterias e estação de recarga, equipamento compartilhado entre os produtores.
Além de diminuir o esforço físico e a exposição a químicos, o uso do drone melhorou o controle de pragas e elevou a qualidade do café, segundo o presidente do sindicato, Ademar Pereira.
Aplicativos substituem assistência técnica diária
A Embrapa apresentou aos agricultores dois aplicativos gratuitos: Aquicultura Certa, para piscicultura, e Roda da Reprodução, voltado à pecuária leiteira. Os programas analisam dados inseridos pelos criadores — como peso dos animais ou pH da água — e sugerem ajustes para otimizar a produção.
Internet reforça a segurança
Antes da conectividade, o piscicultor Tiago Oliveira amargava prejuízos de até R$ 20 mil por gaiola de tilápias roubada. Com câmeras ligadas à rede e monitoramento em tempo real desde 2022, ele não registrou novos furtos.
Cenário nacional ainda desigual
Apesar dos avanços locais, 15% dos domicílios rurais brasileiros permaneciam desconectados em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas 52% tinham 4G ou 5G; nas lavouras, a cobertura caía para 34%, mostra levantamento da Associação ConectarAGRO e Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Expansão do Semear Digital
Lançado em 2020, o projeto já beneficiou 10 municípios e deve chegar a Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai a partir de 2026, com um centro de dados (Dat) em cada país. No Brasil, o foco agora é ampliar a iniciativa no Nordeste. Os recursos somam R$ 26,7 milhões repassados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) até 2027.

Imagem: Fabio Tito via g1.globo.com
Política pública
Em âmbito federal, o programa Rural + Conectado abriu em 2023 uma linha de crédito de R$ 1,2 bilhão para melhorar velocidade e qualidade da internet em 2.315 localidades do Norte e Nordeste. O Ministério da Agricultura ainda não divulgou os resultados da ação.
Com mais de 75% de crescimento entre 2019 e 2024, o número de agtechs no país indica que a demanda por soluções digitais no campo segue em alta.
Para entender melhor os dados de conectividade rural no Brasil, o portal do IBGE mantém estatísticas atualizadas sobre acesso à internet.
Se você se interessa por inovações que impactam a produção agrícola, confira outras reportagens em nossa seção de Destaques.
Com iniciativas que combinam conectividade, tecnologia de aplicação e suporte técnico remoto, projetos como o Semear Digital mostram que a internet é peça-chave para elevar produtividade, reduzir custos e tornar o campo mais seguro. Continue acompanhando o nosso site para saber como essas soluções podem chegar a outras regiões do país.
Com informações de g1
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