Brasília – A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos, nos primeiros dias de 2026, reacendeu o debate sobre a riqueza subterrânea do país. Autodeclarada em 300 bilhões de barris, a reserva “comprovada” da Venezuela corresponderia a cerca de um quinto das reservas mundiais de petróleo.
Esse volume é contestado por especialistas, mas não há dúvidas de que a nação abriga extensas jazidas, principalmente na Faixa Petrolífera do Orinoco e no Lago de Maracaibo. A geologia local, combinada a uma rara sucessão de eventos tectônicos, sedimentares e climáticos, explica a concentração de hidrocarbonetos.
Choque de placas produziu bacias profundas
Localizada na ponta norte da América do Sul, a Venezuela se encontra na interseção das placas Sul-Americana, Caribe e Nazca. O encontro desses blocos gerou bacias sedimentares profundas e falhas que atuam como armadilhas naturais, retendo petróleo em grandes volumes.
“A borda da placa sul-americana é empurrada para baixo da placa do Caribe, empilhando rochas por quilômetros e criando espaço para sedimentos”, detalha o geólogo Philip Prince, da Virginia Tech. Com o soerguimento de cadeias montanhosas, os sedimentos ricos em matéria orgânica foram inclinados e direcionados para áreas como o Orinoco, onde o petróleo acabou se acumulando.
Matéria orgânica de alta qualidade
No subsolo venezuelano existe uma espessa sequência de rochas do período Cretáceo, ricas em plâncton e algas depositadas em antigos ambientes aquáticos. Ao serem soterrados por milhões de anos, esses organismos passaram por reações químicas que deram origem ao petróleo.
“A rocha geradora é de excelente qualidade, enquanto os arenitos atuam como reservatórios eficientes”, explica Prince. Falhas geológicas funcionam como dutos naturais, guiando o óleo até estruturas onde fica aprisionado.
Petróleo pesado e caro de processar
Grande parte do óleo venezuelano é classificada como extrapesada e apresenta alto teor de enxofre, o que encarece a extração e o refino. Ainda assim, esse tipo de petróleo é essencial para a produção de diesel e combustível de aviação, lembra Mauro Ratto, da Plenisfer Investments.
Da exploração privada à estatização
A primeira grande descoberta, em Mene Grande (1914), inaugurou uma corrida dominada por companhias estrangeiras como Shell, Exxon e Chevron. Até 1975, cerca de 75 bilhões de barris recuperáveis foram identificados em mais de 320 campos, 28 deles considerados gigantes. A estatização do setor ocorreu na década de 1970, mas a relevância econômica do petróleo permanece central.
A extensa Faixa do Orinoco é apontada por estudiosos como o “ponto de convergência” para o petróleo gerado em bacias muito maiores no passado. Segundo o geólogo K. H. James, migrações sucessivas ao longo de enormes distâncias contribuíram para a extraordinária acumulação hoje conhecida.
Apesar dos desafios técnicos e do questionamento sobre o tamanho exato das reservas, a combinação de rocha geradora de qualidade, armadilhas estruturais e processos tectônicos raros consolidou a Venezuela como potência energética.
Para mais dados geológicos sobre reservas mundiais, o portal da Administração de Informações de Energia dos Estados Unidos (EIA) disponibiliza relatórios detalhados sobre produção e potencial de diversos países.
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Em resumo, um alinhamento incomum de fatores naturais ao longo de milhões de anos possibilitou que a Venezuela abrigasse uma das maiores concentrações de petróleo do planeta. Continue acompanhando nossas atualizações para entender as implicações políticas e econômicas desse cenário.
Com informações de G1
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