A escalada do conflito no Irã colocou o governo brasileiro e o setor produtivo em estado de atenção por possíveis reflexos nos preços do petróleo e nas exportações de grãos e carnes para o Oriente Médio, região que concentra de 10% a 15% das vendas externas do Brasil.
Exportações de milho e carnes em foco
Embora o Irã não seja um dos principais destinos dos embarques nacionais, o país persa responde por cerca de 67% do milho exportado pelo Brasil, operação que somou quase US$ 2 bilhões. Além do cereal, destacam-se as vendas de carnes de frango, bovina e halal — produto cujo abate segue preceitos religiosos muçulmanos e no qual o Brasil lidera o ranking mundial de exportação.
Especialistas avaliam que o fechamento do Estreito de Ormuz, principal via marítima para o transporte de petróleo no Oriente Médio, agrava as incertezas. A passagem estratégica, responsável por aproximadamente 20% do fluxo global da commodity, liga produtores como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.
Custos de produção podem subir
Segundo Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global, a valorização do petróleo tende a pressionar insumos derivados, a exemplo dos fertilizantes nitrogenados. “O custo já aperta a margem do produtor, enquanto os preços globais das commodities não estão tão elevados”, avalia o pesquisador.
Planos do governo: cautela e diálogo
Interlocutores do Palácio do Planalto informaram que as discussões com o agronegócio são permanentes e que eventuais medidas só serão anunciadas se houver variação significativa de preços. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reconheceu o risco de alta do petróleo, mas descartou impacto imediato sobre a inflação interna, lembrando que o Brasil é autossuficiente no combustível.
Já o ministro da Economia, Fernando Haddad, afirmou que o ambiente doméstico segue favorável a investimentos. Para ele, apenas uma ampliação substancial do conflito demandaria novas ações de governo, cenário que, no momento, é monitorado “com cautela”.
Contexto regional: em Sergipe, estado que possui cadeias produtivas de grãos e pecuária voltadas ao mercado externo, entidades do setor acompanham o desenrolar da crise no Oriente Médio para avaliar possíveis impactos sobre custos e contratos de exportação.
Fonte: Jovem Pan




