Brasília — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quarta-feira (17) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma “relação difícil” com o mercado financeiro e carece de “reconhecimento” por parte da imprensa sobre os avanços nas contas públicas.
Melhora nas contas e nos indicadores sociais
Durante reunião ministerial na Granja do Torto, Haddad afirmou que resultados fiscais e sociais mostram evolução desde 2023:
- Déficit de R$ 230,5 bilhões em 2023;
- Déficit de R$ 43 bilhões em 2024;
- Projeção de rombo de R$ 75 bilhões para 2025 e de R$ 23,3 bilhões em 2026, apesar da meta de equilíbrio a partir de 2025.
O ministro também citou aumento do emprego, queda da pobreza, inflação controlada — resultado da alta de juros nos últimos anos — e crescimento médio do PIB em torno de 3% ao ano.
Exceções à meta fiscal pressionam o resultado
Segundo Haddad, o cumprimento da meta sofre impacto de gastos não recorrentes, estimados em mais de R$ 170 bilhões para o período de quatro anos, entre eles:
- Precatórios;
- Calamidade no Rio Grande do Sul;
- Custos do “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos;
- Despesas adicionais na área de Defesa.
O ministro reconheceu que a “guerra de narrativas” deve se intensificar em 2026, ano eleitoral, e reforçou que o governo trabalhará para reduzir tensões “artificialmente construídas” com agentes do mercado e a imprensa.
Dívida sobe e pressiona juros
Apesar das críticas de Haddad, a dívida pública continua em ascensão. Dados do Banco Central apontam que o endividamento do setor público consolidado atingiu 78,1% do PIB em setembro, o equivalente a R$ 9,75 trilhões — um crescimento de um ponto percentual no mês.
Pelo critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional, a dívida brasileira chegou a 90,5% do PIB no mesmo período, aproximando-se dos níveis da zona do euro e superando médias latino-americanas e de outras economias emergentes.
De janeiro de 2023 a setembro de 2025, a dívida avançou 6,5 pontos percentuais, e o Tesouro Nacional projeta aumento de cerca de 11 pontos até o fim do mandato, impulsionado por medidas como a PEC da Transição, reajustes no salário mínimo, pisos de saúde e educação, quitação de precatórios e reajustes a servidores.
Comparativo por mandatos presidenciais
O Tesouro resume a trajetória da dívida, segundo o padrão do FMI:
- Lula 2003-2006: queda de 11,5 p.p. do PIB
- Lula 2006-2010: recuo de 2,2 p.p.
- Dilma 2010-2014: queda de 0,8 p.p.
- Dilma 2014-ago/2016: alta de 10,7 p.p.
- Temer 2016-2018: alta de 12,5 p.p.
- Bolsonaro 2019-2022: recuo de 0,8 p.p.
- Lula 2023-2026 (projeção): alta de 10,8 p.p.
Haddad reiterou que, diante do endividamento elevado, o governo continuará buscando “ajuste gradual” para evitar pressões adicionais sobre a taxa de juros.
Segundo o Banco Central, os gastos com juros somaram R$ 985 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro, reflexo direto do nível de endividamento.
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Resumo: Fernando Haddad defendeu que o mercado e a imprensa não reconhecem a melhora fiscal obtida pelo governo Lula, embora admita que a dívida pública subiu e continuará em elevação. Continue acompanhando nossas publicações para mais atualizações sobre a economia nacional.
Com informações de G1
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