O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará nesta semana o resultado consolidado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025. Projeções de analistas e dados parciais indicam que a inflação encerrará o ano dentro da meta do Banco Central, contrariando o cenário pessimista traçado no fim de 2024.
Virada nas expectativas
No primeiro Boletim Focus de 2025, o mercado estimava inflação de 4,99% e dólar a R$ 6, em meio à valorização da moeda norte-americana, temores climáticos e incertezas sobre a política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao longo do ano, as estimativas foram revistas para baixo, impulsionadas por safras melhores, oferta ampliada de proteínas e fortalecimento do real.
Itens que mais baratearam
Levantamento do FGV Ibre mostra que cinco dos dez itens que mais contribuíram para conter o IPCA pertencem ao grupo de alimentação. Entre janeiro e novembro, as maiores quedas foram:
- Laranja-pera: ‑27,21%
- Batata-inglesa: ‑26,57%
- Arroz: ‑24,24%
Segundo o coordenador de índices de preços do FGV Ibre, André Braz, a redução média de 16,9% nesses produtos aliviou o custo da cesta básica, sobretudo para famílias de menor renda.
Os bens duráveis também recuaram, com queda média de 3,5% em eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, reflexo dos juros elevados que encareceram o crédito e levaram as empresas a conceder descontos.
Pressões de alta
Serviços livres e preços monitorados puxaram a inflação para cima. Entre os itens com maior avanço estão:
- Aluguel residencial
- Refeição fora de casa
- Lanche
- Ensino fundamental
- Empregado doméstico
- Condomínio
Esses seis serviços, que somam 15,8% do orçamento das famílias, registraram inflação média de 6,2% entre janeiro e novembro. A taxa de desemprego em 5,2%, a menor da série histórica do IBGE, manteve a demanda aquecida e dificultou a desaceleração desses preços.
O café apresentou comportamento atípico, com alta de 43,27% até novembro, atribuída a choque de oferta provocado por fatores climáticos e cambiais.
Projeção para 2026
Economistas projetam IPCA semelhante ao de 2025 para o próximo ano. O desempenho das safras, o clima, o câmbio, os juros e o mercado de trabalho serão determinantes. Em ano eleitoral, medidas de estímulo à renda podem pressionar preços, mas a expectativa é de que o Banco Central mantenha o foco na meta de 3%.
Dados detalhados sobre o comportamento da inflação podem ser consultados no site oficial do IBGE.
Para acompanhar a repercussão política desses indicadores, confira a cobertura em Política.
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Com informações de G1
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