Brasília – O empresário Joesley Batista, sócio da JBS e um dos controladores do grupo J&F, esteve em Caracas em 23 de novembro para solicitar que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, deixe o cargo, de acordo com informações da agência Bloomberg.
Segundo a publicação, Batista defendeu uma transição pacífica de poder durante a reunião, realizada dias após Maduro conversar por telefone com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A viagem, ainda conforme a Bloomberg, foi iniciativa do próprio empresário; ele não recebeu convite formal de Washington, embora autoridades americanas soubessem do deslocamento.
Silêncio de governos e da empresa
Questionado pela agência, o grupo J&F declarou apenas que Joesley Batista “não representa nenhum governo”. O Palácio do Planalto não comentou se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha conhecimento do encontro. A JBS também não se pronunciou sobre o teor da conversa, e o empresário não respondeu aos contatos da BBC News Brasil.
Crescente tensão entre EUA e Venezuela
A visita ocorreu em meio ao aumento de tensão entre Caracas e Washington. O governo norte-americano acusa Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, classificado como organização terrorista, e, no fim de novembro, Trump anunciou o fechamento do espaço aéreo “sobre e nos arredores” da Venezuela. Paralelamente, os EUA enviaram o porta-aviões USS Gerald Ford e cerca de 15 mil militares ao Caribe, na maior mobilização na região desde 1989.
Atuação de Batista na diplomacia empresarial
A ida a Caracas reforça a atuação de Batista nos bastidores da política internacional. Em outubro, ele integrou a comitiva empresarial que acompanhou Lula em viagem pelo Sudeste Asiático, buscando alternativas ao esfriamento nas relações com os EUA. Meses antes, em setembro, esteve na Casa Branca para tratar das tarifas impostas por Trump sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina.
Interesses de negócios
O grupo J&F mantém interesses na Venezuela. A Âmbar Energia obteve autorização para importar eletricidade venezuelana destinada a Roraima, enquanto a Fluxus, outra empresa do conglomerado, abriu escritório em Caracas para prospectar reservas de petróleo. A holding nega que existam negociações em curso.
Antecedentes de influência política
Joesley e o irmão Wesley expandiram a JBS com apoio do BNDES nos primeiros governos Lula. A companhia foi a maior doadora nas eleições de 2014, com R$ 391 milhões em repasses que favoreceram dezenas de políticos. Em 2017, a gravação de uma conversa de Joesley com o então presidente Michel Temer desencadeou forte queda na Bolsa de Valores, episódio que ficou conhecido como “Joesley Day”.
Mais detalhes sobre a relação bilateral podem ser consultados no site do Departamento de Estado dos EUA, que reúne histórico e dados atualizados sobre a política dos Estados Unidos para a Venezuela.
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Esta reportagem mostrou os bastidores da inesperada iniciativa de Joesley Batista em Caracas. Continue conosco e receba em primeira mão as principais notícias sobre política e economia.
Com informações de G1
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