O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a perda de espaço do Partido dos Trabalhadores (PT) a conflitos internos durante evento que celebrou os 46 anos da sigla, na noite de sábado (10) em Salvador, capital baiana. Diante de militantes e dirigentes, o chefe do Executivo disse que “as brigas internas acabaram com o PT” e cobrou união para recuperar protagonismo nas eleições municipais.
Ao analisar o desempenho partidário, Lula questionou o tamanho atual da representatividade petista em grandes centros, citando o quadro em São Paulo como exemplo. Segundo ele, é preciso abandonar a prática de “perseguir o erro” e concentrar esforços no fortalecimento institucional. “Não sou eu que devo ser forte, e sim o partido”, afirmou.
Reaproximação com a base popular
O presidente destacou a necessidade de retomar o diálogo direto com as camadas de menor renda. “O PT tem de ir à periferia conversar com o povo”, declarou, defendendo também maior interlocução com o eleitorado evangélico. Ele lembrou que cerca de 90% do público evangélico recebe benefícios sociais federais e argumentou que o partido não pode aguardar aval dos líderes religiosos para se aproximar desse segmento: “Precisamos ir até lá”, disse.
Balanço do governo
Para sustentar a gestão iniciada em 2023, Lula mencionou indicadores econômicos como a queda da inflação, a valorização do Ibovespa e o aumento real do salário mínimo. Propôs ainda comparar seus três anos de mandato com os sete anos anteriores, período que chamou de “golpe” — referência às administrações de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O presidente afirmou que a disputa eleitoral dependerá de uma “narrativa política” capaz de enfrentar as notícias falsas. “A campanha precisa começar com a verdade derrotando a mentira; temos que expor cada fake news”, observou.
Críticas ao orçamento secreto
No mesmo discurso, Lula condenou o chamado orçamento secreto, classificando o dispositivo como um “sequestro do orçamento do Executivo” que, segundo ele, movimenta cerca de R$ 60 bilhões neste ano. Apesar da crítica, lamentou que parlamentares petistas tenham apoiado a medida: “O mais triste é que o PT votou a favor”, reconheceu.
Lula concluiu defendendo a preservação das instituições democráticas e enfatizou que a política exige negociação. Também admitiu que o partido não detém hegemonia em todos os estados e, por isso, precisa de “tática” para avançar em diferentes regiões.
Com informações de Jovempan




