Em entrevista coletiva realizada às 3h35 (horário de Brasília) deste domingo (22), pouco antes de embarcar para a Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou como “muito positivos” os resultados de sua visita à Índia. Segundo ele, o Brasil abriu mais de 520 novos mercados para produtos nacionais em três anos e dois meses, movimento que reforça a estratégia de apresentar “as potencialidades do país” ao mundo.
Lula lembrou que, quando esteve em Nova Délhi em 2005, o comércio exterior brasileiro girava em torno de US$ 100 bilhões. Hoje, afirmou, o volume chega a quase US$ 650 bilhões, multiplicado por mais de seis vezes. No caso específico da relação com a Índia, o fluxo bilateral ultrapassou, em 2025, a marca inédita de US$ 15 bilhões—25% acima do registrado em 2024. O presidente disse acreditar que a recente missão poderá ampliar ainda mais esse intercâmbio.
Reforma da ONU e diálogo com os Estados Unidos
Durante a conversa com jornalistas, Lula classificou como urgente a necessidade de reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) para garantir mecanismos mais eficazes de manutenção da paz. Ele observou que o mundo vive “o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial” e que integrantes permanentes do Conselho de Segurança participam de algumas dessas disputas.
O presidente também comentou a pauta comercial com os Estados Unidos. Lula declarou esperar êxito nas próximas negociações sobre tarifas de produtos brasileiros e manifestou intenção de conversar diretamente com o presidente norte-americano. “Se taxar alguns produtos nossos, vai causar inflação nos Estados Unidos e prejudicar o povo americano”, disse.
Combate ao crime e papel do BRICS
Ao tratar de segurança global, Lula mencionou que propôs aos Estados Unidos uma cooperação no combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro, garantindo que o Brasil “está disposto a trabalhar” em ações que levem “os magnatas da corrupção” à Justiça.
Ele acrescentou que o grupo BRICS—formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul—pode atuar como instrumento de equilíbrio geopolítico diante de um cenário internacional que classificou como assimétrico.
No entendimento do presidente, a atual visibilidade do Brasil no exterior resulta de um esforço para reposicionar a imagem do país e atrair novos parceiros econômicos.
Para Sergipe, que mantém setores vocacionados à exportação, a diversificação de destinos e a intensificação de acordos bilaterais podem abrir novas oportunidades de negócios, acompanhando o movimento nacional apontado pelo governo federal.
Fonte: Agência Brasil




