O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21), em Nova Délhi, que a parceria entre Brasil e Índia tem potencial para “fortalecer o Sul Global”. A declaração foi dada após reunião com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, encontro que resultou na assinatura de vários instrumentos de cooperação, entre eles um acordo para exploração de minerais críticos e terras raras.
Lula classificou a sociedade entre os dois países como a junção da “farmácia” com o “celeiro” do mundo, ressaltando a diversidade biológica e cultural de ambas as nações. Segundo ele, a convergência “multilateral e pela paz” inclui ainda defesa de acesso a medicamentos e estímulo ao uso de biocombustíveis.
Acordos e perspectivas econômicas
Entre os entendimentos firmados, destacam-se:
• Tratado bilateral sobre minerais estratégicos e terras raras;
• Parceria Digital para o Futuro, voltada a tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial;
• Ampliação da validade dos vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos;
• Instalação de um escritório da Embraer na capital indiana.
O presidente brasileiro citou ainda que Mercosul e Índia concluíram acordos de livre comércio com a União Europeia, resposta que ele classifica como alternativa ao “unilateralismo comercial”.
Na avaliação de Lula, o avanço das iniciativas pode levar a uma revisão da meta de intercâmbio financeiro entre os dois países. Hoje fixada em US$ 20 bilhões, a referência pode subir para US$ 30 bilhões, disse o chefe do Executivo. Ele lembrou que, em 2025, o fluxo bilateral superou US$ 15 bilhões, 25% acima de 2024, resultado que consolidou o Brasil como maior parceiro comercial da Índia na América Latina.
Energia limpa e saúde
Lula realçou a Aliança Global para Biocombustíveis, conduzida por Brasil, Índia, Japão e Itália, cujo objetivo é quadruplicar o consumo mundial de combustíveis sustentáveis. No campo da saúde, citou acordos da Fiocruz para pesquisa e produção local de vacinas contra tuberculose, além de medicamentos oncológicos, imunossupressores e terapias para doenças negligenciadas.
Posicionamento internacional
Durante o discurso, o presidente defendeu o fim da guerra na Ucrânia, pediu alívio ao sofrimento do povo palestino e rechaçou atentados na Caxemira. “As únicas guerras que a humanidade deve lutar são as contra a fome, a pobreza e a degradação do meio ambiente”, afirmou.
Agenda
Lula está na Índia desde quarta-feira (18) para a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, evento que reúne chefes de Estado, representantes da ONU e executivos do setor tecnológico. Após compromissos com investidores e um jantar oferecido por Modi, o presidente segue neste domingo (22) para a Coreia do Sul, onde está previsto um plano de ação trienal voltado ao fortalecimento das relações bilaterais.
Fonte: Jovem Pan
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