O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca nesta quarta-feira (–/–) no Panamá, quatorze anos após sua última passagem oficial pelo país, para participar como convidado de honra da segunda edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, conhecido como “Davos latino-americano”.
Além da presença no encontro, a visita inclui a assinatura de um acordo de cooperação e facilitação de investimentos com o governo panamenho, iniciativa que busca intensificar o comércio bilateral, responsável por um crescimento de 78% no último ano segundo o Itamaraty.
Canal do Panamá e soberania
A agenda oficial também ressalta o apoio brasileiro à neutralidade do Canal do Panamá. Em agosto de 2024, o Brasil aderiu ao Tratado de Neutralidade da via interoceânica, movimento que ganhou destaque após declarações de Donald Trump sobre “recuperar” o canal devido à suposta influência chinesa. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, rejeita essa disputa geopolítica, afirmando que o país não aceitará ingerências externas.
Coincidência com o julgamento da Odebrecht
A chegada de Lula ocorre enquanto a Justiça panamenha julga o caso Odebrecht, iniciado em 12 de janeiro, após seis adiamentos desde 2023. O processo reúne cerca de 20 réus, entre eles o ex-presidente Ricardo Martinelli, atualmente asilado na Colômbia, e ex-ministros de seu governo. Segundo depoimentos de André Rabello, ex-diretor da construtora no país, a Odebrecht pagou mais de US$ 80 milhões em subornos a autoridades panamenhas.
Analistas locais, como Rodrigo Noriega, afirmam que a simultaneidade entre a visita e o julgamento reforça a percepção de impunidade de elites políticas na América Latina. O comentarista também alega que o governo brasileiro tem evitado cooperar com notificações de testemunhas solicitadas pela Justiça do Panamá.
Agenda bilateral
Durante a viagem, Lula e Mulino devem selar um entendimento que facilitará investimentos recíprocos. A secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gisela Padovan, lembra que os dois chefes de Estado já se reuniram cinco vezes desde 2024, indicando “dinamismo” nas relações.
A última passagem de Lula pela Cidade do Panamá havia sido em maio de 2011, como ex-presidente, quando participou da inauguração da segunda fase da Cinta Costera, obra construída pela Odebrecht. Sua primeira visita oficial ocorreu em 2007, para tratar de cooperação em infraestrutura e biocombustíveis.
Com a agenda intensa e o pano de fundo judicial, a presença brasileira tende a reforçar os laços políticos e comerciais entre os dois países, ao mesmo tempo em que chama atenção para o desfecho do maior escândalo de corrupção já julgado no Panamá.

Dados oficiais da Autoridade do Canal do Panamá ressaltam que mais de 14 mil embarcações atravessam a via todos os anos, evidenciando a importância estratégica do canal na logística global.
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Resumo: Lula retorna ao Panamá para reforçar parcerias econômicas e apoiar a neutralidade do Canal, enquanto o país julga o caso Odebrecht. Continue nos acompanhando para receber atualizações sobre esta e outras notícias relevantes.
Com informações de Jovem Pan
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