Os Estados Unidos anunciaram o envio de US$ 150 milhões em ajuda humanitária à Venezuela depois dos terremotos devastadores que atingiram o país na quarta-feira, 24 de junho. O Departamento de Estado confirmou a liberação dos recursos e a mobilização de dois navios e aeronaves para apoiar as equipes de resgate que já atuavam nas regiões mais afetadas.
Durante o videocast “Fora da Ordem”, exibido nesta sexta-feira, 26, o analista de política internacional Lourival Sant’Anna avaliou que a decisão de Washington carrega um componente político claro. O ex-presidente norte-americano Donald Trump, segundo o comentarista, buscou reforçar a mensagem de que nações latino-americanas alinhadas à Casa Branca costumam receber benefícios concretos em momentos de crise.
“Trump vem repetindo que os venezuelanos são ‘nossos novos e grandes amigos’ e quer mostrar que a aproximação com os Estados Unidos traz resultados objetivos”, explicou Sant’Anna.
O especialista ponderou, porém, que o montante aprovado é relativamente modesto diante da magnitude do desastre. Ele lembrou que os EUA enfrentam pressões orçamentárias internas e citou gastos recentes em outras frentes geopolíticas.
“Há pouco se falou em quase 100 bilhões de dólares destinados ao Irã. Nesse cenário, o espaço político para grandes gestos de generosidade é reduzido”, pontuou.
Sant’Anna também destacou a postura ambígua do contribuinte americano diante da tragédia. Parte da opinião pública, observou, manifesta solidariedade, enquanto outra parcela questiona por que um país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo precisa de socorro externo.
Ao analisar o quadro político interno venezuelano, o comentarista avaliou que a ausência de Nicolás Maduro no poder facilita a chegada da ajuda internacional. Para ele, o antigo presidente teria recusado o apoio, repetindo atitudes registradas em crises anteriores.
“A única coisa boa em tudo isso é o Maduro não estar no governo, porque ele rejeitaria a ajuda, como fez mais de uma vez, inclusive na pandemia”, afirmou.
Desde a transição, comandada por Delcy Rodríguez, Caracas mantém diálogo direto com Washington, o que, na avaliação do analista, garante rapidez ao desembarque dos suprimentos.
Questionado sobre o papel da oposição, Sant’Anna afirmou que a catástrofe pode abrir espaço para debate sobre políticas públicas e reconstrução, citando nomes como Leopoldo López, Maria Corina Machado e Henrique Capriles. Segundo ele, após o choque inicial, temas como legislação de obras, sistemas de alerta e preparação urbana tendem a ganhar relevância no discurso político.
Para o público sergipano que acompanha a movimentação regional, o envio de recursos e equipamentos pelos EUA ilustra a importância de protocolos de cooperação multinacional em desastres, prática também adotada no Nordeste em situações de enchentes ou secas. A expectativa é de que as equipes venezuelanas consigam ampliar o socorro às vítimas nos próximos dias, enquanto organismos internacionais avaliam novas necessidades de financiamento.
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