Equipes de resgate que atuam nas cidades venezuelanas abaladas pelos dois fortes terremotos de quarta-feira, 24/06, seguem enfrentando uma sucessão de abalos secundários. A informação foi confirmada neste sábado, 27/06, pela coordenadora de ajuda humanitária Loyce Pace, da Cruz Vermelha para as Américas.
“Não sei se as pessoas têm noção de quão constante tem sido essa ameaça. Nossos profissionais relatam tremores sucessivos sempre que conseguimos contato telefônico”, relatou Pace, destacando que cada réplica representa um novo perigo para vítimas e socorristas.
Segundo a especialista, a instabilidade do solo obriga as equipes a interromper vistorias em prédios danificados, retardando a retirada de sobreviventes. As estruturas já comprometidas podem ceder a qualquer momento, exigindo protocolos de segurança mais rígidos e, consequentemente, lentidão nas operações.
Pace observa que moradores mostram ansiedade para voltar aos seus imóveis, mas o retorno é considerado prematuro. “Há riscos quanto à segurança das estruturas — prédios literalmente desabando —, então precisamos ser muito cuidadosos nas próximas semanas”, alertou.
Enquanto avaliações de engenharia não são concluídas, centenas de famílias continuam dormindo ao ar livre. Abrigos emergenciais estão sendo montados, mas a demanda supera a capacidade disponível. A expectativa é de que o número de pessoas acolhidas aumente à medida que chegam insumos e reforços internacionais.
O impacto atinge também quem presta socorro. Parte dos voluntários da Cruz Vermelha perdeu casas ou tem familiares desaparecidos, mas permanece em campo.
“Alguns começaram a trabalhar imediatamente, mesmo diante das próprias perdas”, contou Pace. “Com a chegada de equipes de outros países, esperamos ter reforço suficiente para que eles possam se revezar.”
Relatórios preliminares apontam mais de 900 mortes e centenas de desaparecidos. O governo venezuelano solicitou apoio adicional de nações vizinhas, inclusive hospitais de campanha, para ampliar a capacidade de atendimento aos feridos.
Especialistas lembram que, após tremores de grande magnitude, réplicas podem ocorrer por dias ou semanas. A recomendação é evitar áreas instáveis, manter vias de escape desobstruídas e seguir orientações das autoridades locais. Para os sergipanos com parentes na Venezuela, o contato frequente e o acompanhamento de comunicados oficiais são essenciais neste momento delicado.
Os tremores de quarta-feira foram medidos em escalas superiores a 7 graus, liberando energia suficiente para comprometer infraestrutura essencial, como estradas e redes de energia. O cenário agrava a logística para envio de água potável, alimentos e medicamentos às zonas mais isoladas.
Neste fim de semana, a prioridade das equipes continua sendo salvar vidas, mapear edificações em risco e ampliar a capacidade de acolhimento. A Cruz Vermelha reforça que o número de voluntários segue aberto para novos cadastros e que materiais de primeiros socorros são as doações mais urgentes no momento.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








