Brasília – Uma onda de publicações em grupos de WhatsApp e Telegram que incentivava correntistas a retirar dinheiro do Banco do Brasil (BB) está sob investigação da Polícia Federal desde segunda-feira, 25 de agosto. A apuração foi solicitada pela Advocacia-Geral da União (AGU), a pedido da Procuradoria do Banco Central, sob o argumento de que as mensagens buscavam “gerar caos no sistema financeiro nacional”.
Como começou a mobilização
O monitoramento da empresa Palver, que acompanha mais de 100 mil grupos públicos no WhatsApp e 5 mil no Telegram, aponta que as citações ao BB dispararam a partir de 14 de agosto, data em que o banco divulgou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre — 60 % abaixo do registrado um ano antes.
Na semana seguinte, o volume de mensagens alarmistas cresceu. Em 19 de agosto, o BB divulgou nota reafirmando que “atua em plena conformidade à legislação brasileira”, frase que passou a circular fora de contexto nas redes. No dia 21, outra notícia — o adiamento do pagamento de dividendos do terceiro trimestre para 11 de dezembro — alimentou o receio de usuários e influenciadores.
Sanções contra Moraes viram gatilho
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi incluído no fim de julho na Lei Magnitsky, legislação norte-americana que impõe sanções a estrangeiros acusados de violar direitos humanos. Como Moraes recebe salário pelo Banco do Brasil, grupos bolsonaristas passaram a sugerir que a instituição poderia ser afetada pelas restrições, associando o caso a um risco de “falência”.
Dados da Palver mostram que, no pico de 21 de agosto, foram registradas 120 menções ao Banco do Brasil a cada 100 mil mensagens analisadas. Entre 28 de julho e 26 de agosto, 53 % dos conteúdos captados eram favoráveis a um boicote ao banco; 30 % defendiam a instituição.
Perfis investigados
No ofício encaminhado à PF, o BB relacionou perfis que “propagam desordem financeira”, entre eles os dos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o advogado Jeffrey Chiquini. Este último publicou no X (antigo Twitter) o conselho: “tire seu dinheiro de lá”. Chiquini afirma que se referia apenas a investimentos em ações do banco.
Reação do governo e de funcionários
Em 22 de agosto, o próprio Banco do Brasil lançou nova nota classificando as mensagens como “inverídicas e maliciosas” e prometendo medidas judiciais. No mesmo dia, a AGU formalizou a notícia-crime. Três dias depois, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou a ofensiva nas redes e disse que havia tentativa de promover uma corrida bancária.
Sindicatos de bancários também se mobilizaram. Em 27 de agosto, trabalhadores protestaram em frente à sede do BB na Avenida Paulista, em São Paulo, com cartazes que diziam “BB é bom para o Brasil” e “Defender o Banco do Brasil é defender a soberania nacional”.
A curva de menções negativas começou a cair em 22 de agosto, mas a investigação da PF prossegue para identificar autores e financiadores da campanha virtual.
De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, a Lei Magnitsky prevê congelamento de bens em território norte-americano e proibição de transações financeiras com os sancionados.
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O caso mostra como informações sem respaldo oficial podem impactar a confiança de correntistas e suscitar ação imediata de autoridades. Continue acompanhando nossas atualizações e receba alertas em tempo real.
Com informações de G1
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