Sergipe se despediu de um de seus mais experientes profissionais da imprensa política. O jornalista Diógenes Brayner faleceu na noite de quarta-feira, 24 de junho, em Aracaju, aos 79 anos, vítima de câncer de pâncreas. Com quase seis décadas de atuação, ele era reconhecido pela análise minuciosa dos bastidores do poder e pelo compromisso com a apuração rigorosa dos fatos.
Nascido em 17 de janeiro de 1947, em Petrolândia (PE), José Diógenes Menezes Brayner iniciou a carreira ainda na juventude, somando passagens por redações de vários estados do Nordeste. Entre os veículos em que trabalhou estão Diário de Pernambuco, O Dia (PI), Gazeta de Sergipe e Jornal de Sergipe, além de emissoras de rádio, onde sua voz se tornou familiar ao público que acompanha a política regional.
Brayner fixou residência em Sergipe em 1982, período em que aprofundou a cobertura do cenário local. A experiência acumulada, a independência editorial e a leitura estratégica do ambiente político lhe renderam respeito de parlamentares, gestores e colegas de profissão. Em 2007, ele criou o Portal Faxaju, consolidado como fonte de notícias e análises sobre governo, eleições e decisões legislativas. No site, a coluna “Plenário” acabou virando ponto de encontro diário de quem buscava bastidores e contexto para os acontecimentos em curso na Assembleia Legislativa e no Executivo.
O reconhecimento pelo trabalho veio em diferentes momentos. Em 2015, Brayner foi agraciado com o Prêmio Jornalista Roberto Marinho de Mérito Jornalístico, concedido pelo Senado Federal, destacando a relevância do seu olhar crítico para a democracia. Cinco anos depois, em 2020, voltou a ser homenageado como um dos principais nomes da comunicação sergipana.
Amigos e leitores costumavam se referir a ele como decano do jornalismo político no estado. A serenidade com que analisava movimentos partidários, a paciência para ouvir fontes e a habilidade de traduzir termos legislativos complexos em linguagem acessível marcaram gerações de profissionais.
A morte de Diógenes Brayner encerra um capítulo importante da história da imprensa local. Seu legado permanece vivo nas páginas que assinou, nas lições transmitidas a repórteres mais jovens e na crença de que a informação bem-checada é alicerce indispensável para o debate público.
O velório ocorre em Aracaju, com cerimônia restrita a familiares e amigos próximos. Em homenagem, colegas de redação recordam que o jornalista costumava dizer que a missão da imprensa é “ouvir todos os lados e respeitar o leitor”. O conselho, agora, ecoa como síntese de uma trajetória dedicada à credibilidade.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








