São Paulo – A Natura&Co deu fim ao projeto de se tornar uma gigante mundial da beleza ao anunciar, na quinta-feira (19), a venda da Avon International por valor simbólico de US$ 1 (cerca de R$ 7). O acordo, fechado com o fundo norte-americano Regent, exclui as operações da marca na América Latina e na Rússia e ainda depende de aval regulatório, previsto para o primeiro trimestre de 2026.
Como a estratégia começou
Fundada em 1969, a Natura buscava ganhos de escala fora do Brasil. A ofensiva internacional teve início em 2012, com a compra de 65% da australiana Aesop; quatro anos depois, a participação restante foi adquirida. Em 2017, a empresa desembolsou cerca de € 1 bilhão para ficar com a britânica The Body Shop. O movimento mais ousado ocorreu em 2019, quando a companhia anunciou a fusão com a americana Avon, avaliada em US$ 2 bilhões.
A escalada virou peso
A integração de marcas com culturas e estágios de maturidade diferentes elevou custos e endividamento, enquanto a rentabilidade não avançava no mesmo ritmo. A pandemia de Covid-19 intensificou os desafios, reduzindo vendas e acelerando mudanças de consumo.
Para simplificar a estrutura e reduzir dívidas, a Natura passou a desfazer ativos:
- abril de 2023 – venda da Aesop para a L’Oréal por US$ 2,5 bilhões;
- outubro de 2023 – venda da The Body Shop por US$ 254 milhões;
- setembro de 2025 – acordo para repassar a Avon International por US$ 1.
Reação do mercado
A confirmação da saída da Avon International fez as ações da companhia subirem mais de 15% no dia do anúncio, reflexo do alívio dos investidores diante da expectativa de menor queima de caixa. O contrato prevê ainda pagamentos adicionais de até US$ 60 milhões, condicionados ao desempenho futuro da marca.
Foco na América Latina
Com a transação, a Natura&Co concentra as operações nas marcas Natura e Avon na América Latina, mercado onde possui maior participação e canais de venda consolidados. Analistas veem a medida como etapa decisiva para a empresa recuperar margens e reforçar caixa.
A conclusão do negócio marcará o encerramento de um ciclo iniciado há pouco mais de uma década, quando a companhia vislumbrava competir em escala com gigantes como L’Oréal, Estée Lauder e Shiseido.
Com informações de G1
Segundo dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), operações de venda de ativos estratégicos costumam influenciar diretamente a percepção de risco dos investidores sobre uma companhia listada.
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Em síntese, a venda da Avon International encerra a ambição global da Natura e reposiciona o grupo em busca de rentabilidade regional. Continue nos acompanhando para receber atualizações sobre o desdobramento desse e de outros negócios.




