Aracaju — A rotina hospitalar do Hospital do Câncer de Sergipe (HCS) e do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) foi interrompida, nesta semana, por uma celebração que encheu corredores de aplausos. Profissionais das duas unidades públicas se reuniram para homenagear uma paciente que encara o tratamento contra o câncer há nove anos, destacando a resistência física e emocional de quem convive diariamente com a doença.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a ação foi planejada pelos próprios servidores da oncologia e reuniu médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais e demais colaboradores. A homenagem incluiu palavras de incentivo, lembranças simbólicas e o reconhecimento aberto do esforço que a paciente — acompanhada pela equipe multidisciplinar desde o diagnóstico — tem feito para manter a qualidade de vida.
Para os profissionais, a relação construída ao longo de quase uma década extrapola o protocolo clínico. “O acompanhamento prolongado aprofunda o vínculo, e reforçar esse cuidado humanizado ajuda na adesão ao tratamento”, pontuou a direção técnica do HCS, por meio de nota.
Cuidado contínuo
A paciente, cujo nome é preservado para resguardar a privacidade, iniciou o tratamento oncológico no Huse e, posteriormente, passou a ser acompanhada também no HCS, inaugurado para ampliar a oferta de serviços oncológicos na rede estadual. A terapia envolve consultas regulares, exames de monitoramento e procedimentos realizados pelas duas equipes, que atuam de forma integrada.
Segundo a SES, o histórico de nove anos reúne diferentes fases do tratamento, abrangendo quimioterapia, acompanhamento ambulatorial e, em momentos específicos, internações para controle de sintomas. A Secretaria destaca que manter o tratamento em dia, mesmo quando a doença entra em períodos de estabilidade, é fundamental para reduzir riscos de recidiva.
Humanização como estratégia
A homenagem faz parte de uma política interna que incentiva práticas de humanização em toda a rede estadual. Em nota, a superintendência do Huse lembrou que gestos de reconhecimento reduzem a ansiedade, estimulam a autoestima e, de forma indireta, podem contribuir para melhores resultados clínicos. “Trabalhamos para que cada pessoa em tratamento veja que não está sozinha”, explicou a equipe de psicologia hospitalar.
Nos bastidores, funcionários contam que, antes da data escolhida, houve mobilização para confeccionar cartazes e organizar um corredor de palmas. A iniciativa também serviu como demonstração de agradecimento à paciente pela confiança depositada no sistema público e como inspiração para outros usuários que iniciam a caminhada contra o câncer.
Contexto da doença em Sergipe e no país
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima a ocorrência de cerca de 704 mil novos casos de câncer a cada ano, no triênio 2023-2025, em todo o Brasil. Em Sergipe, os tumores de mama, próstata e colorretal lideram as projeções, o que reforça a importância de programas de prevenção e detecção precoce. A SES informa que, apenas em 2022, a rede estadual realizou mais de 12 mil consultas oncológicas — dado que evidencia a demanda crescente por atendimento especializado.
Para dar conta desse cenário, o HCS foi criado como unidade de referência e, junto com o Huse, integra o fluxo de atenção oncológica. O serviço oferta consultas ambulatoriais, quimioterapia, exames de imagem e, em parceria com outros hospitais, encaminhamento para radioterapia e cirurgia oncológica.
Avanços e desafios
Apesar dos avanços na estruturação da rede, a SES reconhece que o enfrentamento ao câncer segue desafiador. Listam-se entre as prioridades a expansão dos exames de rastreamento, a descentralização do atendimento para o interior e o fortalecimento do cuidado paliativo. Em paralelo, a Secretaria defende ações de acolhimento, como a homenagem desta semana, para lembrar que o tratamento vai além da dimensão biomédica.
Emocionada, a paciente agradeceu o gesto da equipe, reforçando a importância do suporte recebido ao longo de quase uma década. A cena, marcada pelo abraço coletivo, sintetizou a mensagem deixada pelos profissionais: persistir no tratamento é um ato de coragem compartilhado entre paciente, família e sistema de saúde.
Com informações de Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe
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