Caracas, 4 jan. 2026 — A estatal venezuelana PDVSA iniciou cortes na produção de petróleo bruto por falta de capacidade de armazenamento, consequência direta do bloqueio imposto pelos Estados Unidos que zerou as exportações do país.
Exportações interrompidas
O embargo norte-americano suspendeu o embarque de navios-tanque sob sanções e resultou na apreensão de dois carregamentos em dezembro. Até então, apenas a Chevron mantinha envios, graças a licença especial de Washington, mas essas operações também foram suspensas na quinta-feira (1º).
No sábado (3), o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a “plena vigência” do embargo ao petróleo e anunciou a captura do presidente Nicolás Maduro. Após a detenção, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo, enquanto Washington ameaça novas ações militares.
Já o secretário de Estado Marco Rubio declarou neste domingo (4) que os EUA não participarão da administração diária do país, limitando-se a manter uma “quarentena” sobre o petróleo venezuelano para pressionar mudanças políticas e coibir o narcotráfico.
Fechamento de campos e falta de diluentes
Sem espaço para armazenar o petróleo extrapesado e sem diluentes para misturá-lo, a PDVSA mandou reduzir a produção em várias parcerias:
- Petrolera Sinovensa (CNPC)
- Petropiar (Chevron)
- Petroboscan
- Petromonagas, agora administrada apenas pela estatal venezuelana
Trabalhadores da Sinovensa preparavam o desligamento de até dez conjuntos de poços neste domingo. Na Petromonagas, a produção já vinha sendo cortada desde a semana passada. A Chevron ainda opera com alguma folga nos tanques da Petropiar, mas seus navios não deixam águas venezuelanas desde quinta-feira; a limitação de espaço na Petroboscan pode forçar reduções adicionais.
Maior reserva do mundo, produção em queda histórica
A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA). Apesar do potencial, grande parte é extrapesada, exigindo tecnologia e investimentos elevados.
O volume produzido despencou de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para 665 mil em 2021. No ano passado, o país alcançou cerca de 1 milhão de barris diários, menos de 1% da oferta global.
Dependência econômica
Desde a nacionalização da indústria em 1976, o petróleo responde por mais de 90% das exportações venezuelanas. A combinação de sanções, queda de produção e hiperinflação — que chegou a 344.510% em 2019 — aprofunda a crise econômica do país.
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O bloqueio norte-americano adiciona uma nova camada de pressão a um setor já fragilizado, empurrando a PDVSA a desligar poços enquanto o país busca alternativas para escoar o petróleo que sustenta sua economia.
Com informações de G1
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