Os preços internacionais do petróleo avançaram de forma expressiva e encerraram a sessão desta sexta-feira (6) acima de US$ 90 o barril, pressionados pela paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz em razão do conflito envolvendo o Irã.
No mercado londrino, o Brent fechou a US$ 92,69, ganho superior a 8% em relação ao dia anterior e salto de 27,88% no acumulado da semana. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, terminou cotado a US$ 90,90, avanço de mais de 12% na sessão e de 35,63% nos últimos cinco pregões. Em apenas alguns dias, a commodity encareceu mais de US$ 20 por barril e, desde o início do ano, o acréscimo ultrapassa US$ 30.
Interrupção no Estreito de Ormuz aumenta tensão no mercado
Cerca de um quinto de todo o petróleo negociado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz. Com a passagem quase totalmente bloqueada, analistas avaliam que o mercado deixou de tratar o conflito apenas como risco geopolítico e passou a lidar com impactos operacionais concretos.
Ole R. Hvalbye, do banco SEB, classificou o movimento como “dramático” e demonstrou preocupação com possíveis efeitos de longo prazo, entre eles a chance de recessão econômica. Economistas do JPMorgan observaram que, a cada dia de fechamento de Ormuz, a oferta mundial fica mais restrita — avaliação compartilhada por Giovanni Staunovo, do UBS.
Países ajustam produção e rotas para evitar desabastecimento
O conflito já obrigou produtores do Golfo a reduzir a atividade. De acordo com estimativa do JPMorgan, o Iraque diminuiu o fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris diários, enquanto o Kuwait se aproxima do limite de armazenamento e praticamente suspendeu a capacidade de refino destinada à exportação.
Entre as medidas de contenção, a China orientou suas principais refinarias a interromper temporariamente as exportações de diesel e gasolina. Nos Estados Unidos, o governo autorizou, por um mês, o envio à Índia de petróleo russo que está sob sanções, tentativa de mitigar os efeitos do conflito sobre o abastecimento indiano.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, informou que a Marinha norte-americana escoltará navios mercantes na travessia de Ormuz “assim que for razoável”. Especialistas da Eurasia Group ponderam que a iniciativa pode aliviar o fluxo, mas não deve restaurar o volume anterior à guerra.
Para Jason Gabelman, da TD Cowen, a resposta dos preços ainda é contida porque os estoques globais permanecem elevados, condição que poderia suprir o mercado por até um mês mesmo com o gargalo no Golfo.
Em Sergipe, estado produtor que acompanha de perto as oscilações do setor, agentes públicos e privados monitoram o cenário internacional, já que a cotação do barril influencia investimentos, arrecadação de royalties e custo de combustíveis no mercado interno.
Fonte: g1
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