A PF prendeu em flagrante um empresário e o preposto depois de sacar R$ 500 mil em Nossa Senhora das Dores. A investigação aponta que o dinheiro pode ser de repasses do Fundo Nacional de Saúde.
A Polícia Federal em Sergipe prendeu em flagrante, nesta quarta-feira, 16, um empresário e o preposto de uma empresa investigada por suspeita de peculato e lavagem de dinheiro. A abordagem ocorreu em Nossa Senhora das Dores, agreste sergipano, logo depois de os dois retirarem R$ 500 mil em espécie de uma agência bancária.
De acordo com as investigações, há indícios de que o montante sacado seja proveniente de repasses do Fundo Nacional de Saúde (FNS), verba federal destinada a custear ações do Sistema Único de Saúde. A suspeita surgiu porque a empresa à qual os detidos estão ligados já vinha sendo monitorada em razão de movimentações consideradas atípicas em contratos públicos.
Uma análise técnica da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou possíveis irregularidades em contratos firmados pela empresa e em pagamentos recebidos da esfera pública. Os indícios abrangem a origem federal dos recursos, a forma como foram transferidos e a compatibilidade entre os serviços descritos nos contratos e os valores efetivamente pagos.
Com base nessas informações, a Polícia Federal montou uma operação de vigilância para acompanhar o fluxo financeiro da conta investigada. Quando o saque de meio milhão de reais foi detectado, a equipe realizou a abordagem do empresário e de seu preposto ainda na cidade. O dinheiro foi apreendido e encaminhado à sede da PF em Aracaju para perícia.
Os dois suspeitos foram conduzidos para prestar depoimento e permaneceram à disposição da Justiça Federal. O inquérito apura a prática de peculato, crime que consiste no desvio de recursos públicos por parte de particular ou servidor, e lavagem de dinheiro, que se caracteriza pela tentativa de ocultar ou dissimular a origem ilícita de valores. As penas somadas podem ultrapassar dez anos de reclusão, além de multa.
A PF informou que as diligências prosseguem para rastrear a destinação que seria dada aos valores sacados, identificar possíveis beneficiários e reunir provas complementares. A CGU, por sua vez, seguirá auditando os contratos celebrados com recursos do FNS a fim de confirmar ou descartar eventuais desvios.
O caso reforça o cerco das autoridades ao uso de dinheiro em espécie em operações de grande porte, prática que costuma dificultar o controle do gasto público. Novos desdobramentos dependem da análise dos documentos apreendidos e de dados bancários que ainda serão incluídos no processo investigativo.
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