O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou no Supremo Tribunal Federal (STF) que a liminar do ministro Flávio Dino, que mandou revisar pagamentos extras a servidores dos Três Poderes, extrapola o objeto original da ação – inicialmente focada em procuradores do município de Praia Grande (SP).
Crítica ao desvio de foco da reclamação
Durante sustentação oral, Gonet destacou que a decisão provisória abordou “tema alheio ao objeto da causa” e, por isso, não seria necessária para o julgamento da reclamação. Segundo o chefe do Ministério Público Federal, ampliar o escopo do pedido fere o princípio da separação dos poderes e rompe a lógica de freios e contrapesos que limita a atuação do Judiciário.
“A vinculação da jurisdição ao pedido é fórmula de limitação do poder Judiciário”, enfatizou Gonet, acrescentando que o eventual precedente pode “afetar substancialmente os limites até agora impostos ao poder de agir do Tribunal”. Para ele, o assunto é de “premente importância”, mas a forma como está sendo discutido preocupa.
Julgamento será retomado
A sessão foi suspensa e os ministros do STF devem concluir a análise da liminar na retomada do julgamento, marcada para amanhã. Até lá, permanece a incerteza sobre o alcance definitivo da decisão que impacta gratificações e benefícios de todos os servidores públicos federais, estaduais e municipais abrangidos.
Em Sergipe, associações de servidores acompanham o tema, atentos a possíveis reflexos sobre vantagens salariais pagas no estado, já que eventual confirmação da liminar pode abrir caminho para revisões similares nos demais entes federativos.
Fonte: Jovem Pan
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