Um policial civil foi indiciado pelo assassinato de dois agentes, incluindo o sergipano Yago Gomes, mortos a tiros dentro de uma viatura. O crime aconteceu enquanto as vítimas voltavam de missão oficial em Alagoas.
A Polícia Civil do Estado de Alagoas concluiu o inquérito que apurou a morte do policial sergipano Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e do agente Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos. Ambos foram assassinados a tiros dentro de uma viatura descaracterizada enquanto retornavam de uma missão institucional. A conclusão da investigação foi apresentada pelo delegado Flávio Dutra, durante coletiva de imprensa.
O policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho foi indiciado por homicídio qualificado, uma vez que as vítimas não tinham como se defender. Yago Gomes e Denivaldo estavam em serviço quando foram mortos na madrugada do dia 20 de maio. Informações da investigação indicam que eles foram surpreendidos por disparos efetuados pelo próprio colega dentro do veículo.
Uma série de perícias foi realizada para esclarecer as circunstâncias do crime. Exames toxicológicos feitos nos envolvidos apresentaram resultado negativo para uso de drogas ilícitas. No entanto, os exames de alcoolemia mostraram que Yago e Denivaldo haviam consumido álcool. “A alcoolemia do Yago e a do Denivaldo deram positivas. Infelizmente, a do autor deu negativa, mas pelo lapso temporal entre os fatos e a coleta do sangue e da urina”, explicou o delegado.
Relatos da equipe policial que participou da ocorrência indicam que Gildate Goes demonstrava desorientação e falava de maneira desconexa, sinais evidentes de embriaguez, quando foi preso em flagrante. A análise dos celulares dos envolvidos não revelou registros de conflitos ou desentendimentos entre os policiais. Ao contrário, as mensagens e arquivos demonstraram uma relação de amizade e respeito profissional.
“As mensagens demonstram uma relação respeitosa e profissional, sem qualquer conteúdo que indicasse rivalidade ou animosidade entre eles”, destacou o policial Flávio Dutra.
A principal linha investigativa sugere que algum desentendimento possa ter ocorrido dentro da viatura momentos antes do crime, mas não há elementos que confirmem essa hipótese. As provas reunidas não indicam que a ação foi planejada previamente.
O delegado ressaltou que eventuais esclarecimentos podem surgir ao longo do processo judicial, caso o acusado apresente uma nova versão para o ocorrido. No relatório final do inquérito, a Polícia Civil solicitou a manutenção da prisão preventiva do investigado, que já se encontra preso. O caso agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.

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