O ouro ultrapassou a marca de US$ 5.500 nesta semana e renovou o recorde histórico, movimento que o economista Sérgio Vale, pesquisador da área de economia e política internacional do Instituto de Estudos Avançados da USP, compara a uma reação febril do organismo diante de uma infecção.
“O ouro é como se fosse uma febre. E o que a gente precisa agora é identificar a causa dessa febre. É uma bactéria agressiva? Há remédios que resolvam?”, afirmou Vale no podcast O Assunto na última quarta-feira (28).
Crise diferente das anteriores
Segundo o economista-chefe da consultoria MB Associados, o quadro atual difere das crises passadas: há uma “desorganização profunda” nas instituições americanas e tensões geopolíticas inéditas sob o governo de Donald Trump, em seu segundo mandato na Casa Branca. Para Vale, “a febre do ouro agora não tem antibiótico de última geração”.
Ele recorda que, nos anos 1970, a alta do metal precioso encontrou solução com as medidas adotadas pelo então presidente do Federal Reserve, Paul Volcker. Em 15 de agosto de 1971, Volcker participou do anúncio que encerrou a conversibilidade do dólar em ouro, inaugurando o regime de câmbio flutuante.
Fatores que alimentam a escalada
A combinação de incerteza política, desequilíbrio fiscal nos Estados Unidos e tensões geopolíticas sustenta a corrida pelos ativos de proteção:
- Ataques de Trump à independência do Federal Reserve e processos contra diretores do banco central.
- Déficits elevados decorrentes de uma política fiscal considerada mal desenhada.
- Conflitos comerciais com a China e ameaças contra países da OTAN, como a proposta de “comprar” a Groenlândia.
Mudança no comando do Fed
Na sexta-feira (30), o presidente indicou o economista Kevin Warsh para substituir Jerome Powell no comando do banco central a partir de maio. Warsh é visto como defensor de juros mais baixos, mas menos radical do que outros cotados, o que resultou em valorização do dólar e queda de 3,7% no preço do ouro naquele dia.

Recordes sucessivos
Mesmo com a correção, o metal já superou US$ 5.100 este mês e segue no maior patamar da história enquanto investidores buscam proteção. O movimento é acompanhado pelo World Gold Council, entidade que monitora o mercado global do ouro.
Para acompanhar outras notícias internacionais, o leitor pode acessar a editoria Internacional do Se Pôr Dentro.
O preço recorde do ouro reforça a percepção de que os riscos políticos, fiscais e geopolíticos continuam elevados, mantendo o metal precioso como porto seguro dos investidores.
Com informações de g1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








