Compradores têm buscado apartamentos de cerca de 40 m² que unem preço menor, localização e lazer. Incorporadoras dizem que políticas habitacionais e ajustes de custo mantêm a demanda em 2026.
O interesse pelos chamados apartamentos compactos — unidades com metragem que costuma ficar em torno de 40 m² — está redefinindo o portfólio de lançamentos residenciais em Aracaju. De acordo com incorporadoras que atuam na capital sergipana, esse formato atende famílias que buscam acomodar o orçamento à compra da casa própria sem abrir mão de localização estratégica, infraestrutura de lazer e serviços condominiais.
A combinação entre políticas habitacionais em expansão e necessidade de adequação de custos vem sustentando o fenômeno em 2026. Para muitos compradores, a metragem reduzida representa uma escolha consciente: preferem investir em planta mais funcional e direcionar recursos para áreas de uso comum, conveniência e proximidade de corredores de comércio e serviços.
Na prática, esse movimento aparece em projetos da MRV espalhados por bairros como Farolândia e região da Cidade Administrativa. As plantas priorizam integração de sala, cozinha e, quando existente, varanda, eliminando barreiras visuais e favorecendo circulação de ar e luz natural. A proposta, relatam executivos da construtora, é entregar moradias que otimizem cada metro quadrado sem comprometer conforto.
“A estratégia contempla diferentes perfis de compradores, com itens como piscina, espaço gourmet, playground, academia, coworking, pet place e áreas de convivência. A proposta é combinar metragem mais racional com estruturas compartilhadas que ampliam as possibilidades de uso dos moradores”, explica Laércio Schuster, gerente comercial da MRV em Sergipe.
Outro pilar da tendência é a versatilidade das áreas coletivas. Dados internos da empresa indicam que, desde o início de 2025, a média de itens de lazer nos empreendimentos passou de cinco para cerca de dez, e mais de 85 % contam com piscina. A leitura é que, ao transferir parte das atividades de lazer para fora do apartamento, o morador sente menos impacto da metragem enxuta.
“Nos apartamentos compactos, nossa premissa é integrar os ambientes. A planta reduz áreas pouco aproveitadas e pode favorecer a distribuição de luz natural, contribuindo para uma experiência de moradia mais confortável”, afirma Flávio Paulino de Andrade, Diretor de Produtos e Projeto da MRV&CO.
Entre os lançamentos que seguem essa lógica está o Residencial Vale do Amanhecer, na região do Centro Administrativo, com 480 unidades de dois quartos, opções de varanda e área privativa. O condomínio oferece churrasqueira, piscina e salão de festas, além de se inserir em um projeto urbanístico que inclui novas vias, ciclovia, pontos de ônibus e praças. Há ainda subsídio de até R$ 55 mil pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
A construtora também ergue o Residencial Esplendore, na Farolândia, com 384 unidades de um ou dois quartos — algumas com suíte —, varanda e acabamento diferenciado. O conjunto dispõe de espaço gourmet, salão de festas, salão de jogos, espaço praia, piscinas e deck molhado, reforçando a ideia de que as áreas comuns funcionam como extensão do lar.
“Para o consumidor, a escolha por um apartamento compacto está cada vez menos relacionada apenas ao tamanho da unidade. Localização, facilidade de acesso, infraestrutura, segurança, opções de lazer e condições de financiamento entram na conta antes da decisão de compra”, pontua Laércio Schuster.
Analistas do setor avaliam que o avanço dos imóveis menores tende a permanecer, impulsionado por mudanças demográficas — como o crescimento de famílias pequenas e de pessoas que moram sozinhas — e pela valorização de experiências fora de casa. Com plantas inteligentes, serviços compartilhados e financiamento facilitado, o segmento consolida uma nova forma de morar que já marca o cenário imobiliário da capital sergipana.
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