O professor doutor Miburge Bolívar Góis Júnior, do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), ocupou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Aracaju nesta terça-feira, 4 de novembro, para apresentar o Projeto Freando a Curva, dedicado à prevenção e ao tratamento de doenças deformantes da coluna vertebral em crianças e adolescentes.
Implantado em 2015 no Laboratório de Controle Motor e Equilíbrio Postural da UFS e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde, o projeto atua em ensino, pesquisa e extensão. Ao longo de dez anos, mais de 200 crianças foram atendidas no ambulatório especializado, que atualmente acompanha cerca de 20 pacientes com escoliose todas as segundas-feiras no Centro de Especialidade Nível 4 (CER-IV), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde.
As atividades incluem palestras educativas, prescrição de coletes e órteses e encaminhamentos cirúrgicos ao Hospital Cirurgia. O trabalho rendeu ao laboratório o reconhecimento do Ministério da Saúde como Melhor Ambulatório de Tratamento de Escoliose do Brasil pela qualidade das ações desenvolvidas.
Nova fase e rede colaborativa
Durante sua explanação, o docente anunciou a construção de uma rede que reúne UFS, Ministério Público de Sergipe, secretarias estadual e municipais de Saúde e Educação, Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino, Sociedade Sergipana de Pediatria e Hospital Cirurgia. “Nosso compromisso é garantir o direito à saúde previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirmou.
Dados preliminares de pesquisa de pós-graduação apontam 7.326 crianças com problemas graves de coluna subnotificados em Sergipe, reforçando a necessidade de ampliar ações preventivas. A partir de 2026, uma cartilha educativa sobre postura, uso de celular e hábitos saudáveis será distribuída a todas as escolas públicas e privadas do estado, fruto de acordo com o Ministério Público.
Impacto econômico
Góis Júnior também alertou para o custo de cirurgias de coluna na rede pública, que varia entre R$ 80 mil e R$ 120 mil, valor que poderia ser reduzido com investimentos em educação postural.
Repercussão entre os vereadores
O presidente da Casa, vereador Ricardo Vasconcelos (PSD), elogiou a iniciativa e o papel social da UFS. A vereadora Sonia Meire (PSOL) defendeu a inclusão do tema no Plano Municipal da Primeira Infância, enquanto o vereador Pastor Diego (União Brasil) propôs diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde para fortalecer a identificação precoce dos casos. Já o vereador Lúcio Flávio (PL) sugeriu a realização de audiência pública sobre o assunto.
Bullying e conscientização nas escolas
Entre as crianças atendidas, oito relataram episódios de bullying devido ao uso de coletes ortopédicos ou alterações posturais. Para enfrentar o problema, o projeto já agendou palestras em 26 escolas públicas e 32 particulares, envolvendo alunos, professores e famílias.
Ao encerrar a apresentação, o professor agradeceu o apoio dos parlamentares e reforçou a importância do engajamento coletivo para prevenir deformidades na coluna infantil.
Para conhecer diretrizes nacionais sobre saúde preventiva, acesse o site do Ministério da Saúde.
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Com informações de Câmara Municipal de Aracaju




