Em 28 de maio de 2026, Sergipe comemora um feito inédito na saúde pública brasileira. Dados consolidados pelo Ministério da Saúde revelam que, em 2025, o estado alcançou a maior taxa proporcional do país na realização de cirurgias bariátricas e mamárias custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado é fruto direto do Opera Sergipe, iniciativa do Governo do Estado criada em julho de 2023 e coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).
De acordo com o levantamento federal, Sergipe registrou 21,38 cirurgias bariátricas e 16,14 cirurgias mamárias por 100 mil habitantes em 2025. Na prática, foram 830 procedimentos dessas duas especialidades em uma população de pouco mais de 2,2 milhões de moradores. O desempenho coloca o estado à frente de unidades da federação que contam com estrutura hospitalar maior e orçamento mais robusto.
O Opera Sergipe nasceu com o objetivo de zerar filas para intervenções eletivas de média complexidade. Em pouco menos de três anos, o projeto ampliou o escopo e passou a oferecer 34 tipos de intervenções, entre elas procedimentos de alta complexidade. Apenas na frente bariátrica, o programa somou 400 cirurgias em 2025 e chegou a 584 até fevereiro de 2026, números que confirmam o ritmo acelerado da segunda fase, iniciada em março de 2025.
Para além das estatísticas, histórias de vida reforçam a dimensão social da política pública.
“Primeiro, agradeço a Deus e também ao Governo do Estado por essa oportunidade. Meu objetivo agora é recuperar minha qualidade de vida, voltar a praticar esportes, jogar bola, correr e retomar minha rotina. E, amanhã, eu completo 45 anos. Posso dizer que estou recebendo o melhor presente da minha vida”
relatou o pescador Gleferson José Farias, de 44 anos, após passar pelo procedimento bariátrico.A estudante de Direito Ana Clara, de 20 anos, também destaca a rapidez do atendimento.
“No mês passado, fui chamada para a consulta e, pouco mais de um mês depois, já estava sendo convocada para a cirurgia. Assim que fui avaliada, já fui aprovada, e tudo aconteceu de forma bem ágil”
conta a jovem, exemplificando a redução do tempo de espera nos 75 municípios sergipanos.O planejamento em duas etapas foi decisivo para o avanço. A primeira priorizou histerectomias, hernioplastias e colecistectomias. Já a segunda expandiu o leque, incluindo mamoplastias redutoras e reconstrutoras, tratamento de endometriose, cirurgias urológicas e ortopédicas por videoartroscopia. Até o momento, o Opera Sergipe ultrapassou 60 mil cirurgias, marca que, segundo a SES, só foi possível graças ao incremento de recursos estaduais, à contratação de profissionais especializados e ao reforço de hospitais regionais.
Economistas da saúde destacam que cada bariátrica bem-sucedida reduz custos futuros com comorbidades como diabetes tipo 2 e hipertensão. Na área de reconstrução mamária, os ganhos envolvidos vão desde a prevenção de complicações pós-mastectomia até a melhora da autoestima de pacientes oncológicas. Para a secretária da Saúde, essa equação justifica o investimento contínuo.
“Quando a gente entrega uma cirurgia no tempo certo, evita agravamentos e diminui custos para todo o sistema. Isso é gestão eficiente de recursos”,
explica.Com os resultados obtidos em 2025 e no primeiro bimestre de 2026, Sergipe consolida-se como referência na gestão de filas e na execução de procedimentos de alta complexidade pelo SUS. O desafio, agora, é manter o ritmo de crescimento e seguir garantindo que quem precisa de cirurgia tenha acesso rápido, gratuito e de qualidade.


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