Washington (20 de outubro de 2025) – Produtores de gado norte-americanos criticaram o presidente Donald Trump após ele afirmar, no domingo (19), que estuda ampliar a compra de carne bovina da Argentina para conter os preços recordes do produto nos Estados Unidos.
A declaração ocorreu a bordo do Air Force One. “Se comprarmos um pouco de carne – não estou falando de muita – da Argentina, isso ajudaria um país que consideramos um ótimo aliado”, afirmou Trump.
Reação do setor
Para as associações rurais, a medida ameaça a renda dos pecuaristas em meio ao período de maior demanda no ano. “Esse plano cria caos em um momento crítico para os produtores e não reduz o valor pago pelos consumidores”, disse Colin Woodall, presidente-executivo da National Cattlemen’s Beef Association.
Rob Larew, que preside a National Farmers Union, lembrou que, no mês passado, o governo norte-americano negociou apoio financeiro de US$ 20 bilhões à Argentina, mesmo após o país sul-americano conquistar espaço na venda de soja para a China. “A última coisa de que precisamos é recompensar a Argentina importando mais carne deles”, afirmou.
Posicionamento do governo
Um porta-voz do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) disse que a pasta atua para reduzir o preço da carne e, paralelamente, apoiar pecuaristas com ajuda emergencial. “Essas ações, somadas aos esforços do presidente para abrir mercados internacionais, enviam um recado claro: produzam mais carne e reconstruam o rebanho”, declarou.
A Casa Branca não comentou além do que já foi dito por Trump.
Impacto limitado nos preços
Analistas do Steiner Consulting Group observaram que a Argentina respondeu por cerca de 2% das importações de carne bovina dos EUA no ano passado, percentagem insuficiente para alterar substancialmente o valor no varejo. O economista Derrell Peel, da Universidade Estadual de Oklahoma, destacou que levaria aproximadamente dois anos para ampliar o rebanho nacional.
Zippy Duvall, presidente do American Farm Bureau Federation, alertou que a entrada de grande volume de carne estrangeira pode comprometer a independência alimentar do país no longo prazo.
Oferta apertada
O rebanho dos Estados Unidos atingiu em janeiro o menor nível em quase 75 anos, após anos de seca elevarem os custos de alimentação. Desde maio, o país praticamente interrompeu a compra de gado do México por receio da disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, enquanto tarifas sobre produtos do Brasil reduziram a entrada de carne bovina brasileira.
Com a oferta ajustada e a procura firme, os preços internos da carne continuam em patamares recordes, cenário que levou à proposta de importação extra.
No momento, não há cronograma definido para que o governo avance na ideia.
Dados públicos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmam que o país mantém cota anual para a compra de carne bovina de diversos mercados, incluindo a Argentina.
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Resumo: O governo norte-americano avalia importar mais carne da Argentina para reduzir preços internos, mas enfrenta forte oposição de pecuaristas, que temem prejuízos e impacto na produção doméstica. Continue acompanhando o SeporDentro para saber os próximos desdobramentos.
Com informações de G1
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