O diretório nacional do PSOL decidiu neste sábado, 7, rejeitar a formação de uma federação com o PT para as eleições de 2026. A deliberação, tomada em reunião virtual, registrou 47 votos contrários e 15 favoráveis à proposta. Com isso, a legenda optou por manter a aliança que já mantém com a Rede Sustentabilidade.
Em nota, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que o tema foi debatido “de modo democrático e amplo” e ressaltou que o partido seguirá “orientado pelas decisões hoje tomadas, mas sempre com respeito a posições divergentes”.
Segundo comunicado interno, a renovação da parceria é vista como estratégica para enfrentar a cláusula de barreira, garantir acesso a recursos e preservar a autonomia política de cada sigla.
Revés para a ala liderada por Boulos
A decisão representa um baque para a corrente Revolução Solidária, capitaneada por Guilherme Boulos, descrito pelos integrantes como ministro da Secretaria-Geral da Presidência. O grupo defendia a união com o PT como forma de construir “unidade política para 2026 e para o futuro”.
Nas últimas semanas, o apoio explícito de Boulos à federação provocou dissidências internas. A vereadora de Florianópolis Ingrid Sateré Mawé e o economista José Luis Fevereiro deixaram a Revolução Solidária, alegando em carta que a mudança de estratégia busca aproximar Boulos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vistas a 2030.
Outras correntes, como Movimento Esquerda Socialista e Primavera Socialista, manifestaram-se publicamente contra a federação. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) argumentou que a união não “cabe neste momento”, alegando que duas federações à esquerda ampliariam o número de candidaturas e que PSOL e PT exercem “papéis complementares”. O líder da bancada, Tarcísio Motta (RJ), reforçou a necessidade de “unidade para reeleger Lula, independência para construir o futuro”.
Cláusula de barreira pauta cálculo eleitoral
A cláusula de barreira exige que, em 2026, os partidos obtenham ao menos 2,5% dos votos válidos em nove Estados (com mínimo de 1,5% em cada um) ou elejam 13 deputados federais distribuídos em nove unidades da federação. Em 2022, na federação com a Rede, o PSOL conquistou 14 cadeiras e hoje conta com 11 deputados, além de quatro parlamentares da sigla aliada.
Setores favoráveis à federação com o PT alertaram que a manutenção da cláusula ficaria mais difícil sem a união e mencionaram a possibilidade de Boulos migrar para o PT, levando nomes de peso como a deputada Erika Hilton (SP). Já os opositores avaliam que o partido pode ampliar sua votação e atrair novos quadros, mesmo sem a parceria petista.
Também pesou no debate o receio de que, ao federar-se com o PT, o PSOL tivesse de apoiar alianças regionais que divergem de suas pautas, como a aproximação com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD).
Em Sergipe, a orientação do diretório nacional tende a nortear as discussões internas, cabendo às lideranças locais ajustar suas estratégias eleitorais de acordo com a linha aprovada neste fim de semana.
Fonte: Jovem Pan




