ARACAJU/SE – A nova edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) revelou que a saúde mental das adolescentes sergipanas atingiu níveis alarmantes, com quase metade relatando vontade de se ferir no último ano – cenário que posiciona o estado entre os piores do país.
- Em resumo: 46,5 % das meninas cogitaram automutilação; 29 % disseram que a vida “não vale a pena”.
Piora acentuada entre elas: por que os números disparam?
O levantamento do IBGE ouviu estudantes do 7º ano ao 3º ano do ensino médio de redes públicas e privadas. Enquanto 19,1 % dos meninos declararam ter pensado em se machucar, o índice entre as meninas saltou para 46,5 %, quase o triplo. Essa diferença faz Sergipe superar a média nacional (32 %) e reforça a urgência de políticas de prevenção direcionadas.
Outro achado crítico aparece na pergunta mais extrema da pesquisa: “A vida vale a pena ser vivida?”. No estado, 20,6 % dos adolescentes responderam negativamente, o segundo maior percentual do Nordeste. Entre as garotas, o número sobe para 29 %; entre os garotos, cai para 11,7 %.
“Sergipe registrou 16,2 % de autoavaliação negativa da saúde mental, o maior índice do Nordeste e o terceiro do Brasil.”
Preocupação diária e sensação de solidão crescem nas escolas
A ansiedade cotidiana também atinge níveis altos: 60,6 % das meninas disseram estar “muito preocupadas” na maior parte do tempo, contra 37,2 % dos meninos. Em Aracaju, o percentual geral alcançou 53,3 %.
A sensação de que “ninguém se importa” foi relatada por 34,5 % das alunas e 19,1 % dos alunos. Quando questionados sobre tristeza constante, 42,3 % das garotas confirmaram o sentimento – mais que o dobro dos rapazes (17,8 %). Para especialistas do Ministério da Saúde, o acúmulo desses fatores amplia o risco de quadros depressivos e ideia suicida durante a adolescência.
Mesmo indicadores historicamente neutros, como irritação frequente, mostraram disparidade: 55,9 % das jovens sentem-se nervosas ou mal-humoradas regularmente, ante 28,6 % dos rapazes. O reflexo direto aparece na autoavaliação: uma em cada quatro meninas (25,2 %) classifica a própria saúde mental como “ruim”.
Crédito da imagem: Divulgação / IBGE
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