Brasília – Durante entrevista à GloboNews nesta sexta-feira (17), o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, admitiu que o governo Lula pode derrubar a “taxa das blusinhas”, tributo que incide sobre compras internacionais de até US$ 50 e que, só no primeiro trimestre, acrescentou R$ 1,28 bilhão aos cofres públicos.
- Em resumo: Governo avalia revogação de imposto criado pelo Congresso e sancionado por Lula.
Por que o recuo entrou no radar do Planalto
A menos de seis meses das eleições municipais, a manutenção da cobrança se tornou um desgaste político. Boulos lembrou que a taxa foi incluída pelo Parlamento e não constava do texto original do Executivo. Ainda assim, o presidente sancionou a lei, hoje contestada por parte da própria base aliada.
Segundo dados da Receita Federal, a arrecadação avançou 21,8 % frente a 2025, mas o custo repassado aos consumidores gerou reclamações em massa nas redes sociais e pressão de plataformas de e-commerce.
“Acho plenamente razoável colocar na mesa a revogação da taxa, desde que se avalie o balanço entre empregos preservados e o peso no bolso de milhões de brasileiros”, disse Boulos.
Impacto bilionário e disputa entre ministérios
Nos bastidores, Fazenda e Desenvolvimento, Indústria e Comércio defendem manter o tributo para proteger a indústria nacional. Já a Secretaria de Relações Institucionais classificou como “boa” a ideia de acabar com a cobrança. Empresários de 67 associações reagiram, enviando ofício a Lula em defesa da continuidade da tarifa.
Além do efeito imediato na receita federal, a revogação pode aliviar o prejuízo operacional dos Correios, que arcam com a logística e veem parte das encomendas ser abandonada após a alta na tributação.
Próximos passos e o que esperar
O Planalto deve compilar dados de emprego no varejo físico e de perda de competitividade do comércio eletrônico antes de bater o martelo. A decisão final, reforça Boulos, caberá ao presidente. Até lá, varejistas nacionais e sites estrangeiros monitoram cada sinal emitido pelo governo.
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