A prefeitura deu um passo decisivo para desassorear o Rio Poxim. Reunião com o Ibama desbloqueou pontos técnicos que travavam as licenças ambientais para início das obras.
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, participou na manhã desta sexta-feira, 19, de uma reunião com representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para tratar do projeto de dragagem e desassoreamento do Rio Poxim. O encontro, realizado na capital, teve como foco destravar pontos técnicos que ainda limitam a emissão das licenças ambientais necessárias para o início dos trabalhos.
Também estiveram presentes a secretária municipal do Meio Ambiente, Emília Golzio, a procuradora-geral do Município, Taísa Oliveira, e o superintendente do Ibama em Sergipe, Cássio Costa. Ao longo da conversa, o grupo revisitou estudos hidrológicos, cronogramas de obra e etapas de regularização fundiária envolvendo margens do rio que cortam regiões urbanas densamente povoadas.
O projeto prevê aumentar a capacidade de vazão do Poxim, reduzindo os alagamentos que afetam, sobretudo, o Largo da Aparecida e o bairro Jabotiana. Nessas áreas, moradores convivem com ruas tomadas pela água sempre que as chuvas ganham intensidade, cenário que prejudica o trânsito, danifica imóveis e compromete o comércio local.
“Estamos tratando de uma obra extremamente importante para Aracaju. A dragagem e o desassoreamento do Rio Poxim são fundamentais para melhorar o escoamento das águas e minimizar os impactos dos alagamentos”, afirmou a prefeita.
Segundo a gestora, o município já reservou equipe técnica e recursos humanos para acompanhar a execução, mas depende do licenciamento federal para avançar à fase de canteiro. O investimento estimado é de R$ 32,2 milhões, provenientes do programa Aracaju Cidade do Futuro, financiado pelo Novo Banco de Desenvolvimento. A ordem de serviço foi assinada em dezembro de 2024 e, desde então, a administração municipal vem ajustando documentos complementares exigidos por órgãos ambientais.
A secretária Emília Golzio classificou o encontro como um “marco” para o empreendimento. Ela explicou que algumas pendências relacionadas à delimitação de áreas de preservação permanente e à compensação ambiental já receberam encaminhamento concreto. Golzio acrescentou que a meta é apresentar, nas próximas semanas, relatórios atualizados de impacto ambiental e planos de monitoramento da fauna aquática.
“Os ajustes definidos HOJE permitirão acelerar as etapas de licenciamento sem perder de vista a responsabilidade ecológica”, resumiu a secretária.
O superintendente do Ibama em Sergipe destacou a importância da integração entre as esferas municipal e federal para obras estruturantes. Ele lembrou que o assoreamento do Poxim vem sendo discutido há mais de duas décadas e que o alinhamento institucional facilita a análise de documentos, reduzindo retrabalho.
“A Prefeitura demonstrou preparo técnico e compromisso com a solução de um problema que afeta a cidade há anos. Esse alinhamento entre os órgãos é essencial para avançarmos com segurança”, avaliou Cássio Costa.
Com o cronograma ajustado, a expectativa da gestão municipal é iniciar a mobilização de máquinas logo após a liberação da licença de instalação. A etapa de dragagem propriamente dita deve se concentrar em trechos considerados críticos, onde a profundidade do leito diminuiu significativamente, dificultando o escoamento natural das águas pluviais.
Além de reduzir alagamentos, o desassoreamento poderá melhorar a qualidade da água ao diminuir pontos de estagnação que favorecem a proliferação de resíduos e mau cheiro. A Prefeitura também estuda incluir ações de paisagismo e recuperação de áreas ribeirinhas, criando espaços de lazer e garantindo maior proteção aos ecossistemas locais.
Enquanto aguarda a conclusão dos trâmites legais, a administração municipal mantém equipes de limpeza atuando em canais secundários que desaguam no Poxim. Essas intervenções paliativas, porém, não resolvem o problema estrutural, de acordo com técnicos da Secretaria de Infraestrutura. A dragagem em larga escala é apontada como a medida mais eficiente para devolver a fluidez ao rio e afastar transtornos cada vez que uma frente fria atinge a capital.
Ao fim da reunião, os participantes definiram um calendário de novos encontros e a troca permanente de informações técnicas on-line, de modo a garantir transparência e celeridade ao processo. Caso o licenciamento seja concluído dentro do prazo revisto, a obra poderá começar ainda no segundo semestre deste ano, beneficiando diretamente milhares de famílias que vivem às margens do Rio Poxim.
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