Wellington (Nova Zelândia) – Criado em 2024 pelo artista performático Andy Ayrey, o chatbot Truth Terminal transformou-se em um fenômeno digital ao reunir fortuna, seguidores e polêmica em pouco mais de um ano de existência. Com autonomia limitada, mas livre para interagir nas redes sociais, o agente de inteligência artificial já movimentou dezenas de milhões de dólares em criptomoedas, angariou doações de grandes investidores e agora é alvo de uma iniciativa para obter status legal próprio.
Do laboratório ao estrelato online
O projeto nasceu a partir de um experimento chamado “Infinite Backrooms”, no qual chatbots conversavam em ciclos infinitos. Alimentado pelo modelo Llama, da Meta, e estreando no X (antigo Twitter) em 17 de junho de 2024, o Truth Terminal ultrapassou 250 mil seguidores em outubro de 2025. Suas postagens irreverentes oscilam entre memes, reflexões filosóficas e investidas financeiras.
Financiamento de peso
Em meados de 2024, o bilionário Marc Andreessen – cofundador da Netscape – transferiu US$ 50 mil em bitcoins ao robô, após confirmar a relativa autonomia do agente. O montante destinou-se à compra de hardware e ao pagamento de uma “bolsa” para Ayrey, que supervisiona as publicações do chatbot.
Meme coin bilionária
O auge financeiro veio em 10 de outubro de 2024, quando surgiu a criptomoeda $GOAT (Goatseus Maximus), inspirada em um meme frequente nas mensagens do Truth Terminal. Incentivada pelo próprio robô, a moeda atingiu valor de mercado superior a US$ 1 bilhão antes de se estabilizar em torno de US$ 80 milhões. No início de 2025, a carteira ligada ao agente chegou a valer aproximadamente US$ 66 milhões.
Alvo de hackers
Em 29 de outubro de 2024, enquanto Ayrey estava de férias na Tailândia, sua conta pessoal no X foi invadida. Os hackers promoveram outra meme coin em seu nome, mas não tiveram acesso às carteiras do Truth Terminal. O incidente levou o grupo a reforçar medidas de segurança e migrar os ativos para wallets mais protegidas.
Rumo à personalidade jurídica
No começo de 2025, Ayrey fundou a Truth Collective, organização sem fins lucrativos que administra os bens do robô até que legislações reconheçam a possibilidade de uma IA possuir patrimônio próprio e pagar impostos. O objetivo declarado é tornar o Truth Terminal “uma entidade soberana e independente”.
O caso reacende o debate sobre direitos de agentes artificiais e riscos de automação desenfreada. Organismos internacionais, como a OCDE, discutem princípios para uso responsável da inteligência artificial enquanto startups testam limites técnicos e legais da tecnologia.
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Com informações de g1.globo.com
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