Aracaju – O ex-governador de Sergipe João de Seixas Dória, nascido em 23 de fevereiro de 1917, em Propriá, entrou para a história nacional após discursar no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964. O ato, que reuniu cerca de 200 mil pessoas, antecedeu a queda do presidente João Goulart e desencadeou o golpe militar.
Comício histórico
Naquela noite de sexta-feira, Seixas Dória dividiu o palanque com nomes como Leonel Brizola, Miguel Arraes, José Serra e o próprio Jango. Aos 47 anos, foi um dos oradores mais aplaudidos, segundo relato do próprio político.
Cassação e prisão
Dois dias após o golpe, os mandatos de Seixas Dória e Miguel Arraes foram cassados. Arraes foi detido em 1º de abril de 1964 e levado imediatamente a Fernando de Noronha. Seixas Dória foi preso na madrugada de 2 de abril, passou sete dias no 29º Batalhão de Caçadores, em Salvador, e também seguiu para o arquipélago, onde permaneceu por quatro meses.
No quartel baiano, recebeu proposta do Exército para reassumir o governo sergipano caso assinasse manifesto de apoio ao novo regime. Recusou a oferta e seguiu para o degredo.
Resistência na ilha
Em Fernando de Noronha, leu jornais contrários à ditadura, começou a redigir memórias e fez amizade com Arraes. Chegou a ser coagido a fugir por um buraco no chão da cela, mas desistiu por não saber nadar até o continente.
Livro best-seller
Após a libertação, lançou “Eu, réu sem crime” em 22 de dezembro de 1964. A noite de autógrafos na Livraria Entrelivros, no Rio, vendeu 2.432 exemplares, segundo o cronista Rubem Braga. O próprio Seixas Dória estimava até 5 mil cópias comercializadas.
Desaparecimento e reaparição
Antes de deixar a prisão definitivamente, foi levado de volta à Bahia por um grupo radical do Exército, sem comunicação com a família. A pressão da imprensa e de parlamentares levou o então chefe da Casa Militar, general Ernesto Geisel, a confirmar que o ex-governador estava vivo.
Revisão histórica
No Painel da Folha de S.Paulo, em 2005, o jornal informou que José Serra era o único sobrevivente entre os oradores do comício de 1964, ignorando que Seixas Dória, à época, tinha 88 anos. O equívoco não foi corrigido.
Últimos anos e legado
Em março de 2004, durante seminário da Fundação Joaquim Nabuco sobre os 40 anos do golpe, o político classificou o movimento de 1964 como “revolta”, não revolução, e criticou o histórico descaso do governo federal com o Nordeste. Seixas Dória morreu em 31 de janeiro de 2012, aos 94 anos, deixando exemplo de resistência democrática.
Informações detalhadas sobre o período de exceção constam no acervo do CPDOC da Fundação Getulio Vargas, que preserva documentos sobre o golpe de 1964.
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Seixas Dória personifica a defesa intransigente da liberdade, mesmo diante da prisão e da censura. Continue navegando e compartilhe esta matéria para que mais leitores conheçam sua história.
Com informações de Portal Infonet




