Senadores pressionaram hoje por explicações sobre o rombo bilionário no Banco de Brasília. O balanço de 2025 está atrasado e ninguém explica o tamanho do prejuízo.
Senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) voltaram a pressionar, HOJE, por mais clareza sobre a real situação financeira do Banco de Brasília (BRB). Durante a audiência pública, o principal alvo das críticas foi a ausência do balanço de 2025, documento que deveria ter sido divulgado até 31 de março, mas segue em aberto, alimentando dúvidas sobre o tamanho do prejuízo provocado pelas operações ligadas ao grupo Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), classificou a falta de números oficiais como um obstáculo para qualquer solução definitiva.
“Até agora, não sabemos qual o real tamanho do rombo do BRB e quanto roubaram do banco”,
disparou. Ele também contestou o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter homologado o plano de socorro sem o balanço atualizado:
“Não entendo como o STF aprova um plano sem que o BRB publique o balanço de 2025. Como se faz um plano assim?”
Pelo acordo firmado entre Governo do Distrito Federal (GDF), União, Banco Central e BRB, o GDF poderá contrair um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A operação terá fiança de um sindicato de bancos e contragarantia vinculada às verbas do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), sem necessidade de aval da União.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou que a instituição precisará de outros R$ 2,2 bilhões por meio da securitização da dívida do GDF. Segundo ele, a primeira etapa dessa estrutura financeira, realizada em 25 de maio, captou R$ 1,17 bilhão com apoio do banco BTG Pactual.
Para o senador Izalci Lucas (PL-DF), o endividamento a longo prazo ameaça a autonomia futura do Distrito Federal:
“Um empréstimo a ser pago em 15 anos compromete os próximos três governadores. Não temos balanço, auditoria, nada. Só a fala de vossa senhoria”,
afirmou, ao lembrar que os recursos poderiam reforçar áreas como saúde, educação e segurança.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que solicitou a audiência, reforçou a necessidade de transparência.
“Ainda temos muitas dúvidas. Até hoje, a pergunta é: quanto esta crise vai custar para o Distrito Federal, para os cidadãos e para o Brasil?”
Damares alertou que a crise extrapola as fronteiras do DF porque o BRB administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de cinco tribunais estaduais (Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e do próprio DF) e detém 64% do mercado de financiamentos imobiliários da capital federal, com carteira próxima de R$ 15 bilhões.
“Infelizmente, não dá mais para falar de fraude bancária no Brasil sem citar o BRB […] E não queremos mais ser surpreendidos pela imprensa”,
completou.
Apesar de o STF ter homologado o acordo no fim de maio, a liberação efetiva dos recursos depende da Câmara Legislativa do DF aprovar projeto de lei que autoriza a operação. O GDF se comprometeu ainda a adotar medidas de ajuste fiscal, como contenção de despesas, suspensão de novos concursos e congelamento de reajustes salariais de servidores.
Nos corredores do Senado, a avaliação é que, sem o balanço de 2025, qualquer votação que envolva aval político ao plano de resgate continuará enfrentando resistência. Enquanto isso, persiste a pergunta que paira sobre os cofres públicos: qual será a conta final do socorro ao BRB?
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








